Cem
Anos Luz
Por
Adriana
Guedes,
Antônio Militão,
Camila Araújo,
Fernanda Cruz e
Marcos Aurélio*
Definição Conceitual
|
Reprodução

|
Documentário
é um gênero videográfico
que registra, interpreta e comenta um fato,
um ambiente ou uma determinada situação.
Mas,
assim como a ficção, o documentário
é uma representação
parcial da realidade. Sendo um gênero
audiovisual utilizado como forma de expressão
da sociedade e registro dos acontecimentos,
o documentário surgiu no início
do século XIX. Alguns fatores presentes
no documentário facilitam a compreensão
dos espectadores, como a linguagem mais
aprofundada e o maior tempo disponibilizado
para a sua produção e exibição.
É
fundamental ressaltar a importância
do documentário na construção
e divulgação do conhecimento,
além da possibilidade de desenvolvimento
de uma participação ativa
de uma determinada comunidade a partir da
utilização do gênero,
como no caso, no gênero jornalístico.
O
documentário surgiu da característica
original do cinema de registrar os acontecimentos
cotidianos das pessoas e animais. Os primeiros
relatos quando tratamos de documentário,
surgiram com o norte americano Robert Flaherty.
Sua experiência foi acompanhar a vida
dos esquimós no norte do Canadá
nos anos de 1912 a 1919, resultando em um
filme chamado Nanouk, o esquimó.
Segundo
pensamentos do jornalista Fábio Sola-Penna,
Flaherty trabalhava com um estilo representativo
da realidade e, além disso, apreciava
pequenos gestos do cotidiano. Para ele,
"o realizador não hesita em
reconstituir as cenas que quer filmar, pedido
a Nanouk e à sua família que
representem os seus próprios papéis:
a preparação das refeições,
a construção de um iglu, a
caça de uma foca". [1]
O
estilo do documentário brasileiro
sofreu muitas mutações constantes,
de acordo com as influências européias
ou até mesmo da política nacional.
Essa
influência pode ser vista em cada
década, que representaram as mudanças
de pensamentos dos documentaristas e da
sociedade. Os primeiros documentários
brasileiros foram feitos pelos próprios
donos das salas de cinema, registrando assim
a realidade que viviam e tendo aos expectadores
uma opção de entretenimento.
Em
toda trajetória histórica
do documentário no início
do século passado, os assuntos desenvolvidos
no cinema ou na televisão envolviam
a realidade de fatos ou pessoas. Com isso,
aumenta a teoria de que o documentário
pode ser um importante instrumento para
a conscientização da população
e conhecimento real dos fatos, de maneira
da qual possa compreender os passos da construção
daquela realidade.
Assim
sendo, é realçado o papel
da televisão e do jornalismo, permitindo
que seja difundido as informações
ao desenvolvimento crítico da sociedade,
através do documentário. Temos
como enfoque, registrar, em forma de "retrospectiva",
toda a história da Estação
da Luz, desde sua construção
no início do século XX até
os dias de hoje, mostrando sua importância
para a cidade de São Paulo e para
o Brasil, não deixando de enfatizar
sua beleza arquitetônica e o Museu
da Língua Portuguesa.
Estrutura
Nosso
documentário será de aproximadamente
trinta minutos, sendo três blocos
de dez minutos cada. O primeiro bloco terá
uma breve apresentação da
importância da Estação
da Luz e suas principais características,
mostrando sua história, desde seu
nascimento, em 1901, até os dias
atuais, abordando essencialmente a movimentação
da economia no país e seus imigrantes.
Também
serão exibidos depoimentos de pessoas
que desembarcaram na Estação
da Luz à procura de emprego na cidade
de São Paulo, e de economistas, para
explicar a importância da estação
na exportação do café,
que impulsiona a economia brasileira.
No
segundo bloco, apresentaremos a arquitetura
da estação, com depoimentos
de arquitetos e restauradores que participaram
da construção e do processo
de revitalização da estação
ou que estejam de alguma forma ligados a
ela.
O
destaque do terceiro bloco será o
Museu da Língua Portuguesa, localizado
no prédio da Estação
da Luz e seus principais aspectos são
revelados por meio de depoimentos de organizadores
e responsáveis pelo espaço.
Linguagem
Seguimos
como referência para nosso trabalho,
os pensamentos da mestre em ciência
da comunicação Manuela Penáfria,
pela Universidade da Beira Interior, localizada
em Portugal. Para Manuela, o documentário
tem como principal objetivo voltar toda
a atenção do público
para os problemas do cotidiano, o que de
fato, é o nosso objetivo também
produzindo o documentário "105
anos Luz".
Nosso
objetivo não é o sensacionalismo,
e sim a exploração limitada
dos fatos para que possamos transparecer
a veracidade das informações,
apresentando o mesmo olhar sobre o tema
e abrindo espaço para um mergulho
de compreensão e para a reflexão.
O documentário deverá ter,
além de informações
básicas para a construção
da história da Estação
da Luz, imagens que farão uma ligação
entre o passado e o presente.
Por
ser um documentário informativo sobre
a Estação da Luz, a presença
dos entrevistados é fundamental para
que nosso trabalho se torne interativo por
meio de informações abrangentes
sobre toda a história da estação,
desde seu nascimento até os dias
atuais. Mostraremos também a importância
e a influência da estação
na vida de muitos paulistanos, principais
usuários da estação,
e brasileiros.
O
projeto pesquisou sobre a história
da Estação da Luz, localizada
no centro da cidade de São Paulo.
Um dos maiores marcos na economia brasileira,
A Estação da Luz é
também de grande relevância
para os paulistas e seus migrantes, sendo
também uma referência arquitetônica
e cultural. Vale lembrar ainda que recentemente,
e depois de passar por um amplo processo
de revitalização, a estação
tornou-se palco para aqueles que desejam
conhecer um pouco mais sobre a língua
portuguesa. O Museu da Língua Portuguesa
é um dos maiores projetos abrigados
pela estação.
A
Estação da Luz foi escolhida
como tema deste trabalho para que seja levantada
a história desta estação,
cuja importância não tem um
espaço nos livros, jornais e revistas,
somente é encontrado em alguns artigos
pequenos. Produzimos um trabalho capaz de
apresentar a Estação da Luz
em seus mais diversos aspectos, resgatando
sua história e sua importância,
destacando suas relações atuais
com a sociedade, seus aspectos econômicos,
culturais e arquitetônicos, passeando
pelos 105 anos de sua existência (o
ontem e o hoje).
Também
esse trabalho teve como objetivo permitir
que o público conheça e entre
em contato com um dos mais importantes prédios
e monumentos arquitetônicos da cidade.
Dessa forma, permitirá também
recuperar e reforçar as origens e
as raízes da maior metrópole
do país.
Para
que isso se tornasse possível, partimos
como perguntas básicas:
-
Qual era a importância social, econômica,
cultural e arquitetônica da Estação
da Luz para a cidade de São Paulo?
E atualmente?
- Quando
a Estação da Luz foi tombada?
- Por
que ela ficou decadente ao longo dos anos?
- Quais
as relações que ela estabelece
contemporaneamente com a cidade?
- De
que forma e porque a Estação
da Luz pode valorizar bairros centrais
ou até mesmo a cidade de São
Paulo?
- As
pessoas costumam ter curiosidade sobre
a Estação da Luz? Que tipo?
É mais um interesse didático
ou um interesse particular?
A
Estação da Luz passou a centralizar
usos mal vistos, como hotéis populares,
prostituição. Você acha
que isso "mancha" a história
da estação?
Para
que estas questões sejam fundamentadas,
a partir da pesquisa que realizamos para
o documentário, aqui apresentamos
os resultados:
O
documentário
Abordamos,
neste documentário, os principais
fatos históricos, desde a construção
e a inauguração da estação,
em 1901, até sua restauração
e modernização, nos últimos
tempos. O aspecto turístico, assim
como a arquitetura e o Museu da Língua
Portuguesa, também foram abordados.
Fundamentamos
nossas pesquisas em obras como os livros:
"Um Século de Luz" (Lourenço
Diaferia, Nadia Somekh, Candido Malta Campos
Neto, Haroldo Gallo, Marcos Carrillho, Fernanda
Magalhães, José Geraldo Simões
Junior, Roberto Righi, Helena Saia e Renato
Viegas) e "Cem Anos Luz" (Maria
Inês Dias Mazzoco, Eduardo Albarello
e Antônio Soukef Júnior). A
emissora de televisão TV Cultura
não demonstrou resistência
em disponibilizar seu material videográfico,
enriquecendo nossa pesquisa com imagens,
diferentes tipos de depoimentos e fatos
de suma importância para dar suporte
ao desenvolvimento de nosso documentário.
Entramos
em contato também com a Secretaria
da Cultura do Município de São
Paulo, Biblioteca "Viva o Centro"
- Associação, sem fins lucrativos,
objetivada no desenvolvimento da Área
Central de São Paulo - e, por fim,
com professores e estudantes de Arquitetura
da Universidade Mackenzie, na busca por
arquivos históricos. Portanto, quanto
mais amplo nosso material histórico
e cultural sobre a Estação
da Luz, maior suporte tivemos para desenvolver
nosso trabalho.
Assistimos
e observamos a todos os tipos de linha de
diferentes documentários, para definir
e comentar planos e cortes, para que nosso
vídeo não se torne cansativo
e desgastante.
Mesclamos
as imagens antigas - para a exibição
das principais características da
estação antigamente - com
as imagens atuais, que fizemos e produzimos
não só para efeito de comparação,
mas também para que as pessoas reconheçam
a importância da estação
nos dias atuais e não apenas em décadas
passadas.
Entramos
em contato com a CPTM (Companhia Paulista
de Trens Metropolitanos), a qual nos forneceu
parâmetros para entrevistarmos profissionais
adequados para esclarecer possíveis
dúvidas e nos fornecem alguns detalhes
importantes sobre a arquitetura da estação,
como o arquiteto que participou da revitalização
da estação. Entrevistamos
pessoas da qual acompanharam as mudanças
da estação, como também
usuários e pessoas que fizeram ou
fazem parte da história da Estação
da Luz, seja utilizando-a como meio de transporte
ou de renda e consideramos de suma importância.
Tivemos
como nossos entrevistados, Maria Inês
Dias Mazzocco (coordenadora da preservação
ferroviária do patrimônio histórico
da rede ferroviária Federal e autora
do livro "Cem Anos Luz"), Haroldo
Gallo (doutor em arquitetura e urbanismo;
professor titular de projeto e restauro
na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
e pós-graduação da
Universidade FAAP), Antônio Soukef
Júnior (arquiteto especializado em
restauração vem desenvolvendo
trabalho de documentação do
patrimônio ferroviário paulista,
e autor do livro "Edifício Júlio
Prestes", publicado em 1997 e "Cem
Anos Luz"), Cândido Malta Campos
Neto (arquiteto e urbanista, doutor pela
FAU-USP, professor do programa de pós-graduação
em arquitetura e urbanismo da Universidade
Presbiteriana Mackenzie e autor do livro
"Cem Anos Luz"), Jarbas de Campos
Montovanini (gerente do projeto do Museu
da Língua Portuguesa), Antônio
Carlos de Moraes Sartini (diretor do Museu
da Língua Portuguesa), Rogério
de Souza Dias (coletor), Alberto Vaz Roncon
(metalúrgico),
Marco
Aurélio de Paula (estudante) e Rogério
Aparecido (taxista).
Decidimos
ir até a estação não
somente para a elaboração
de nosso Trabalho de Conclusão do
Curso, mas também para observar todos
os seus aspectos, e compreendermos a sua
importância e contribuição
para o desenvolvimento do país.
A
grande quantidade e concentração
de pessoas e os diferentes tipos de freqüentadores
e usuários fazem com que a estação
se torne uma "fonte de luz" para
a cidade de São Paulo. Um exemplo
disso é a maneira com que a população
enxerga a estação ao passar
próximo dela, as pessoas ficam olhando
e observando cada detalhe.
Outro
fato interessante é a maneira como
a estação foi construída.
Sua arquitetura, toda diferenciada, apresenta
uma cobertura de vidro no vão, de
cerca de 40 metros de largura, sem colunas,
sobre a via férrea; há no
sistema de ventilação e limpeza
da cobertura, placas de zinco (importadas
da Letônia) e de madeira que juntas
favorecem a entrada de claridade com luz
natural e dissolvem a fumaça das
locomotivas; isso sem falar na qualidade
das caneletas e dos condutores metálicos
das águas pluviais, resistentes à
oxidação. Grades de ferro,
que servem de anteparo nas escadas amplas
são fundidas, formando delicados
ramos com grãos de café.
Estas
grades foram produzidas para a segurança
e ao mesmo tempo para ornamentação.
As escarradeiras também chamam a
atenção. São de bronze,
têm pedestal, medem cerca de meio
metro de altura, a superfície coberta
de areia fina. As clarabóias são
resistentes ao desgaste e montadas com vidro,
chumbo e bronze, e ficam no piso de um pavimento
superior para permitir a passagem de luz
e clarear banheiros e corredores.
A
segurança é exercida pelos
guardas ferroviários; uniforme caqui,
cinturão largo, boina preta e revólver.
Também ficam de olho esperto nas
proximidades das três pontes de ferro.
Resultado
de uma parceira e de um investimento de
37 milhões de reais entre o poder
público, a iniciativa privada e a
sociedade civil, o Museu da Língua
Portuguesa não podia ficar em local
mais apropriado, a Estação
da Luz.
Foi
nesse rico cenário da Estação
da Luz que decidimos nos inspirar para a
criação e elaboração
de nosso Trabalho de Conclusão de
Curso. Nosso objeto de pesquisa é
um dos mais importantes patrimônios
históricos da cidade de São
Paulo, portanto merece ser lembrado e homenageado
por todos nós.
Considerações
finais
Quando
tivemos que decidir um tema específico
para o nosso Trabalho de Conclusão
de Curso, queríamos algo que ninguém
tivesse falado sobre, ou alguma coisa que
não tivesse um acervo de pesquisas
muito grande.
Quando
alguém decide falar sobre São
Paulo, certamente escolherá a beleza
da Avenida Paulista ou até mesmo
da cultura que esta cidade abriga. Conhecemos
a Estação da Luz, porque ela
faz parte de nossa cidade, porém,
quando fomos pesquisar sobre ela, o que
conseguimos foi um material muito vasto
de informações. Deste modo,
surgiu a idéia de criar um documentário
para informar às pessoas ou aos interessados,
toda a história da estação.
Ao
lidar com um tema fantástico que
é a história da Estação
da Luz, aprendemos muito deste lugar esquecido
pelas pessoas que vivem na cidade de São
Paulo e até usuários da própria
estação. De fato, muitas pessoas
passam por lá e se quer conhecem
esta história e principalmente, a
importância que ela tem para a cidade
e para a economia de todo o país.
Foi
um prazer lidar com essa história
podendo conhecer um pouco mais dela, fazendo
com que, através de nosso documentário,
podemos informar a todos o quanto a Estação
da Luz fez e faz diferença para a
cidade, tanto pelo transporte do café
colhido no estado de São Paulo, passando
pela sua arquitetura moderna e finalizando
com um dos maiores museus dedicado à
nossa língua falada: o português.
Tivemos
contra-tempos e grandes momentos de conhecimento
em nosso trabalho; estivemos ao lado de
pessoas da qual entendesse sobre o assunto
que nós abordamos. E isso enriqueceu
nossa pesquisa. Estamos felizes com o trabalho
desenvolvido, pois hoje nós olhamos
a Estação da Luz não
só como uma simples estação,
mas com outros olhos: os olhos daqueles
que agora sabem da importância que
ela nos trás, nunca deixando de cultivar
as coisas esquecidas pela correia de nosso
cotidiano.
Nota
[1]
Disponível em: <www.bocc.ubi.pt/pag/zandonade-vanessa-video-documentario.html>.
S/d.
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ed.
*Adriana
Guedes, Antônio Militão, Camila
Araújo, Fernanda Cruz e Marcos Aurélio
são graduados em jornalismo pela
Universidade Anhembi-Morumbi.
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