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Resenhas
Obra
aberta:
O jornalismo brasileiro sob as lentes críticas e 'cinematográficas'
de José Marques de Melo
Por
Profª.
Drª. Ruth Penha Alves Vianna*
O
mais surpreendente sobre o pensamento jornalístico brasileiro
escrito neste ano de 2003 trata-se da obra clássica do
Prof. Emérito da ECA - USP, Dr. José Marques de
Melo, intitulada Jornalismo Brasileiro, com a qual nos brinda
a sofisticada e luxuosa publicação da Editora
Sulina (Porto Alegre, agosto de 2003).
Esta
preciosidade editorial da Sulina é assinada por Vitor
Hugo Turuga, da Fósforo Gráfico, e Vânia
Möller, responsável pelo belíssimo projeto
gráfico e editoração, além de corroborado
pela competência editorial de Luis Gomes.
Nas
240 páginas de finíssima gramatura, José
Marques de Melo, como se fora um documentarista cinematográfico-jornalista,
vai tecendo os acontecimentos, fatos, perfis, personagens e
estória do jornalismo brasileiro desde o grande plano
geral, cortando para os planos médios, os planos detalhes,
os closes e close-up, lançando luz em aspectos, datas,
pessoas, lugares e aspectos, que até hoje haviam ficado
obscuros na essência da História do Jornalismo
Brasileiro.
Lançando
mão de sua maturidade científica, acadêmica
e de profissional do jornalismo, José Marques de Melo,
como se estivesse em um verdadeiro laboratório, traça
ângulos surpreendentes da nossa imprensa e do jornalismo,
enquadrando-os adequadamente em seu tempo-espaço e esmiuçando,
através da análise de mestre e pelas lentes de
sua sabedoria, o que há de mais significativo no tema.
Como
leitura obrigatória para os estudiosos do jornalismo,
mas também para aqueles que desejam ser entendidos como
homens de seu tempo, Jornalismo Brasileiro deve ser degustado
desde as páginas iniciais, pois já na pág.
9, JMM desperta o interesse dizendo a que veio: "produto
da confluência de padrões importados (principalmente
franceses e norte-americanos), durante o século XIX o
Jornalismo Brasileiro adquiriu identidade própria no
bojo do processo de modernização da imprensa,
que se transforma, no transcurso do século XX, para enfrentar
a competição com o rádio e a TV".
(1)
JMM
avalia o status que o Jornalismo Brasileiro atingiu desde o
seu surgimento, na metade do século XIX, até o
vigor dos dias atuais. Toda esta robustez do Jornalismo Brasileiro
é comprovada pelo autor através do conjunto de
trabalhos, 'ensaios, artigos, palestras, comentários',
pesquisados e por ele avaliados nos últimos dez anos.
Marques
de Melo declara ser esta uma obra aberta: "preferimos,
contudo, antecipar hipóteses, roteiros ou panoramas,
a correr o risco de nutrir obra tardia, por excesso de zelo
intelectual", (2) afirma JMM. O mestre deixa ainda espaço
aberto para os leitores críticos que queiram contribuir,
pois dá a entender que o terreno fértil já
foi por ele semeado, à espera de bons plantadores, uma
vez que, segundo ele, "a essência do jornalismo continua
a ser a atualidade". (3)
Em
uma revisão criteriosa, na pág. 13 JMM faz a síntese
sobre a bibliografia brasileira do Jornalismo, indo desde o
seu processo de modernização, no início
do século XX, registrada por Barbosa Lima Sobrinho (preocupação
nacionalista), passando pelo pós-guerra e pela entrada
de capitais estrangeiros, tópico enfatizado polemicamente
por Genival Rabelo e depois relatada por Cláudio Mello
e Souza em trabalho sobre os 15 anos da história do Jornal
Nacional da TV Globo.
Passa
pelo jornalismo empresarial sem fronteiras (explicitado por
Barbosa Lima Sobrinho, desde 1923) e por Danton Jobim e a problematização
da fisionomia do Jornalismo Brasileiro (após ter vivenciado
as práticas profissionais e acadêmicas nos EUA
e Europa), na qual o Diário Carioca é o protagonista
do momento, desde suas linhas de produção ao estilo
do modelo norte-americano adotado.
No
final dos anos 60/70 (em pleno autoritarismo do governo militar),
Alberto Dines aprofundará o debate sobre a necessidade
de modernização da forma como se dava o processo
de produção do jornalismo brasileiro, assinalando
a crise e a escassez do papel e mostrando que a informatização
dos processos produtivos era questão sine qua no para
a vida ou morte dos jornais no Brasil e no mundo.
Os
anos 80 (redemocratização), Ruth Vianna, em sua
obra Informatização da imprensa, descreverá
a transição e retomada da modernização
da indústria jornalística brasileira, com o advento
da informatização generalizada em todos os periódicos
brasileiros, tendo como pioneira a Folha de S.Paulo. Tal diagnóstico
também será tratado por Carlos Eduardo Lins da
Silva, ao revelar "os bastidores da revolução
em um grande jornal". (4)
Não
obstante, JMM demonstra que "os flagrantes da crise profunda
vivida pelos jornalistas brasileiros e das suas incertezas haviam
sido retratados" (5) em obras organizadas pelos seguintes
autores: Moacir Pereira (1981), Marques de Melo e Waldimas Galvão
(1984), Gisela Ortriwano (1987), Medina (1987), Marques de Melo
e Lins da Silva (1991), Geraldinho Vieira (1991), Melo (1992/1994),
Squirra (1979), Dantas (1998), Moreira & Del Bianco (2001),
Marinalva Barbosa (2001), Caparelli (1980), Marcondes (1993),
Hamilton Ribeiro (1998), Capelatto (1986), Lage (1998); Chaparro
(1993), Rezende (2000), entre outros importantes autores por
ele mencionados.
Do
período retratado até agora Melo enfatiza que
o "Jornalismo Brasileiro manteve sua personalidade própria"
embora tenha "ampliado" relações com
outras culturas, "preservando modos singulares de expressão
informativa e de organização do trabalho jornalístico".
(6)
O
abismo discursivo que separa o jornalismo brasileiro do jornalismo
português é demonstrado por Manuel Chaparro em
"sotaques d'aquém e d'além mar". (7)
Neste
sentido a ECA-USP tem sido o laboratório vivo dos experimentos
e pesquisas do jornalismo brasileiro, mantendo-se como referência
de estudos e pesquisas acadêmicas no Brasil e em toda
a América Latina.
Em
sua livre-docência (1983, ECA/USP), JMM fará os
seguintes enunciados que conceituam de forma clara a natureza
do jornalismo:
"O
jornalismo é um fenômeno universal, mas suas raízes
são européias. (...) Por isso, no caso brasileiro,
não é suficiente fazer remissões àqueles
modelos que nos trouxeram os colonizadores lusitanos, mas torna-se
imprescindível perceber as determinações
que configuram o padrão transplantado e descobrir os
atravessamentos gerados pelas influências conjunturais,
inevitáveis na trajetória dos povos e das culturas
que giram em torno dos pólos hegemônicos do poder
internacional". (8)
Significativo,
ainda, e em termos conclusivos, é a definição
aclaratória que JMM sentencia sobre a natureza do Jornalismo
Brasileiro:
"...o
jornalismo brasileiro tem uma fisionomia entrecortada por múltiplas
diretrizes, algumas convivendo contraditoriamente no estilo
que nos trouxeram os portugueses, outras que chegaram através
dos processos de comunicação intercultural implícitos
nos movimentos migratórios, e também aqueles que
emergiram das situações de dependência tecnológica
e econômica que incluem no seu bojo alterações
simbólicas fundamentais". (9)
Ou
ainda:
"Nosso
jornalismo é contemporaneamente o resultado desse conjunto
de motivações forâneas, sem que isso queira
significar a existência de uma fisionomia amorfa, produzida
pelo entrecruzamento dos padrões estrangeiros... O jornalismo
brasileiro estruturou-se criativamente, observando com seletividade
os modelos que se nos insinuaram ou impuseram, adquirindo feição
diferenciada.
Quando,
por exemplo, observamos o jornalismo praticado nos vizinhos
países hispano-americanos reconhecemos a persistência
dos traços espanhóis, naturalmente modificados
pelo influxo das técnicas norte-americanas que penetram
avassaladoramente. No nosso caso, não temos. Temos um
jornalismo morfologicamente distante dos padrões portugueses,
mas que também não constitui cópia dos
modelos franceses e norte-americanos (sem dúvida nossas
maiores fontes de inspiração)". (10)
Em
seus cortes cinematográficos, JMM roteiriza os Itinerários
do Jornalismo Brasileiro ao colocar um flash de luz sobre o
conceito de Conhecimento Jornalístico (págs. 21
a 28). Aqui Melo fala a respeito da pesquisa sobre os fenômenos
jornalísticos no Brasil, cujo período inicial
se dá na segunda metade do século XIX.
A
imprensa chega tardiamente em território brasileiro:
"mais de três séculos nos separam da inovação
gutembergiana... a imprensa aqui se desenvolve a partir da chegada
da Corte de D. João VI, em 1808", afirma Melo. Além
de tardia, é controlada apela censura real, reproduzindo
apenas informações e documentos do governo. Somente
com a Revolução do Porto é que foi permitida
a edição de jornais sem pedir licença às
autoridades, enfatiza.
JMM
fala dos Percussores situados no segundo Reinado, ganhando importância
a figura de D. Pedro II, e do pioneirismo dos holandeses na
introdução da imprensa no país, contrastando
com o atraso dos portugueses, que a proíbem e reprimem.
Põe
em xeque a tese de que a primeira impressora a operar no Brasil
teria ou não sido a trazida por Nassau, cujo testemunho
seria o folheto Brasilche Gelt-Sack (Recife, 1645). Não
obstante, pesquisas empíricas nos arquivos brasileiros
e holandeses comprovaram que os impressos, supostamente recifenses,
haviam sido reproduzidos em gráficas européias,
conforme afirmaram José Higino Duarte (1883) e Alfredo
de Carvalho (1899). (11)
Já
por volta do primeiro centenário da Imprensa Régia
no País e do lançamento do primeiro jornal independente,
o Correio Braziliense de Hipólito José da Costa,
destacam-se a monografia Gênese e Progresso da Imprensa
Periódica no Brasil (1908), de Alfredo de Carvalho, e
o trabalho de Max Fleiuss, que, como registra JMM, é
autor de um dos primeiros state of art da pesquisa histórica
sobre o jornalismo (1922).
Para
JMM quem vai estabelecer a fronteira sobre o jornalismo como
objeto de estudo definido é Barbosa Lima Sobrinho, ao
publicar em 1923 sua obra clássica O problema da imprensa.
Temas
polêmicos, e já em debate na sociedade brasileira,
como a lei da imprensa e o fenômeno jornalístico
na sociedade brasileira versus o fazer cotidiano do jornalismo,
serão analisados de forma sistemática por Sobrinho,
apreciação que, como diz JMM: "Converte-se
em práxis, ou melhor, em conhecimento socialmente utilitário,
produto da observação sistemática e da
reflexão crítica de produtores qualificados".
(12)
Ainda
como pioneiros dos estudos do jornalismo, JMM destaca os trabalhos
de Gilberto Freyre, que faz uma releitura da sociedade patriarcal
brasileira através das lentes da Sociologia e Antropologia,
baseado em anúncios de jornais e retratados em sua obra
Casa Grande & Senzala (1933). Para Melo, este trabalho representou
uma inovação metodológica, abrindo caminhos
para os estudos comparativos. (13)
As
nascentes Escolas de Jornalismo (1940) incorporariam todas essas
contribuições: Cásper Libero e a UFRJ formariam
grupos de estudos que analisariam os fenômenos do jornalismo
contemporâneo, com destaque para a geração
de Carlos Rizzini, Danton Jobim, Pompeu de Souza, Celso Kelly,
Marcelo Ipanema, Freitas Nobre etc.
Os
personagens considerados inovadores por JMM estariam fora do
eixo Rio-São Paulo: Luiz Beltrão em Pernambuco
foi o fundador do Instituto de Ciências da Informação
da Universidade Católica de Pernambuco e da revista Comunicações
& Problemas, "primeiro periódico acadêmico
nacional dedicado às ciências da comunicação".
(14)
Em
Brasília, Pompeu de Souza cria o primeiro núcleo
regular de pesquisa em comunicação. Neste núcleo,
foram defendidas em 1960 as primeiras teses de mestrado e doutorado,
que constituem os primeiros produtos de pesquisa de jornalismo.
Como
inovadores, Melo cita ainda os trabalhos de Alberto Dines no
Jornal do Brasil e os Cadernos de Jornalismo; a Universidade
de São Paulo cria a Escola de Comunicações
e Artes, onde a personagem central é o próprio
José Marques de Melo, que implantará o Departamento
de Jornalismo onde, pela primeira vez, contará com uma
equipe de docentes em tempo integral dedicada regularmente aos
estudos bibliográficos, à pesquisa e à
experimentação em laboratórios dos fenômenos
jornalísticos. A USP passa a ser então o primeiro
centro de referência pedagógica e científica
e, nos anos 70 e 80, os novos cursos de jornalismo no Brasil
passarão a tê-la como padrão. (15)
O
grupo de renovadores surgiu nos anos 90 e é apontado
por Melo com destaque: a PUC-FAMECOS (Porto Alegre) e a UFSC,
sendo que a primeira estará preocupada com as demandas
do mercado de trabalho e a segunda terá pretensões
de ser um núcleo vanguardista afinado com as teses do
sindicalismo jornalístico. Em Minas Gerais a protagonista
principal será a PUC-MG (1970), liderada por Lelio Fabiano
dos Santos, que trabalharia com jornalismo comunitário
e posteriormente estaria envolvida com o jornalismo industrial
e a sociedade civil, dialogando com as lideranças do
empresariado e do governo. (16)
A
Católica de Santos, em Santos/SP, se destacará
nos estudos dos procedimentos hegemônicos no mercado e
com as metodologias peculiares aos movimentos sociais nas periferias
urbanas. A Experiência da FCS da UCS é a dos jornais-murais
criados pelos estudantes e que circulam nos morros da cidade,
rompendo as barreiras entre as produções jornalísticas
burocráticas e dando espaços às produções
pela cidadania em movimento.
Melo
faz menção ainda sobre a nova geração
da UnB, que teve durante muito tempo a marca do jornalismo político
na figura de Carlos Chagas, e é liderada agora por Murilo
César Ramos e Luiz Martins, que dinamizaram a pesquisa
dos fenômenos jornalísticos na pós-graduação.
A
Cásper Libero, em São Paulo, sairá da crise
enfrentada nos anos 70 e 80 e ressurgirá com um novo
quadro de docentes, que valorizará a reformulação
dos veículos laboratoriais e incentivará os trabalhos
experimentais dos alunos, passando a privilegiar objetos concretos,
com projetos inovadores de novos formatos jornalísticos.
A
Universidade de Campinas se destacará através
da criação do Laboratório de Estudos Avançados
em Jornalismo. Criará o curso de especialização
em jornalismo científico com recursos do PRONEX-CNPq.
O Projeto mais inovador da UEC será o Observatório
da Imprensa, via internet, tendo como provedor o Universo On
Line (UOL). Trabalho este liderado por Alberto Dines.
Ainda
em SP, a Universidade Metodista de São Paulo, em São
Bernardo do Campo, terá como marca registrada a veiculação
do jornal local editado por alunos e professores. O Curso de
pós-graduação da UMESP desde 1978 é
reconhecido nacional e internacionalmente e fora inicialmente
dedicado aos estudos dos fenômenos jornalísticos
não-hegemônicos e da mídia alternativa.
Não obstante, o conhecido Grupo Comunicacional de São
Bernardo (1994) institui a linha de pesquisa sobre a estrutura
da indústria da comunicação.
Como
tendências emergentes, JMM sinaliza as outras centenas
de grupos de pesquisas sobre os fenômenos jornalísticos
nas diferentes regiões brasileiras, que despontaram com
o surgimento de mais de 128 cursos de jornalismo em todo o país
e que têm como espaço de divulgação
e de expressão as reuniões anuais da INTERCOM.
O
papel da INTERCOM hoje é inegável, tida como o
grande fórum nacional e internacional dos pesquisadores
de comunicação e, principalmente, do jornalismo.
Os
estudos sobre Hipólito José da Costa Pereira,
considerado o fundador do Jornalismo Brasileiro por sua atuação
como editor do mensário Correio Braziliense (1808-1822),
é um capítulo à parte dentro da obra de
JMM, que percorrerá os caminhos deste verdadeiro precursor
do nosso jornalismo como se estivera abrindo página a
página os diários de viagem de Hipólito
para, de forma saborosa que só a boa literatura histórica
sabe dar, nos revelar a figura carismática de Hipólito
e as suas contribuições para a solidificação
do jornalismo no país.
Por
exemplo: Hipólito foi o introdutor do Jornalismo Científico
no Brasil, ainda no final do século XVIII. Os registros
de sua missão diplomática aos Estados Unidos,
a serviço da Coroa Portuguesa, estão recheados
de um bom jornalismo, científico e tecnológico.
Lança mãos dos estudos comparativos ao fazer referências
ao contexto colonial europeu.
Da
página 29 à página 55 da obra de Melo poderemos
ter toda a contextualização do jornalismo praticado
na América Hispânica (1722-2000). Contrastes e
controvérsias da vida cultural e sociopolítica
do Brasil versus América do Norte e Europa estarão
presentes, passando pela circulação de notícias
tipográficas no início do século XIX (Corte
Lusitana); a ocupação da Península Ibérica
pelas tropas de Napoleão; a Gazeta do Rio de Janeiro
editada por Frei Tiburcio José da Rocha; o Correio Braziliense,
editado em Londres por Hipólito José da Costa,
até os dias atuais, além de dar o destaque à
polêmica de quem foi o real fundador do jornalismo brasileiro:
Hipólito ou Frei Tibúrcio?
Melo
falará sobre a trajetória intelectual de Hipólito;
trará cenas e cenários significativos da viagem
de Hipólito desde Coimbra até a Filadélfia;
mostrará o felling de repórter precoce de Hipólito,
que intuitivamente trabalhará seus relatos de forma noticiosa
(o que o repórter observou? Como e onde?). (17) Falará
ainda sobre quem foram as fontes de Hipólito e como se
dera o cultivo das mesmas por Hipólito.
Melo
demonstra que nos escritos de Hipólito da Costa, conforme
registram os seus biógrafos, estariam os embriões
do genuíno jornalismo científico.
Já
nas páginas 56 a 81, JMM se dedica a traçar um
perfil bem acurado de Rui Barbosa, figura a quem Melo teve como
mentor intelectual desde os seus 15 anos de idade em Alagoas.
Rui Barbosa é considerado o jornalista polemista: aquele
que mescla política e jornalismo.
Nas
páginas seguintes, Melo se ocupará de traçar
o perfil de Werneck Sodré, apresentado como um grande
historiador sobre os estudos do jornalismo, além de sua
figura de militante político do Partido Comunista Brasileiro.
Poderemos
ler ainda sobre Freitas Nobres como um "Jurisconsulto";
Walter Sampaio como um inovador da época; Otávio
Frias como um empreendedor.
Curiosa
e surpreendentemente, JMM dá um corte sobre os cenários
e personagens que vem cronologicamente traçando e, na
página 102, no capítulo Caminhos Cruzados, volta
aos cenários da Maceió dos anos de 1959, relembrando
o seu ingresso precoce no jornalismo e suas primeiras reportagens,
seu prêmio ESSO de Jornalismo, os desafios e ambições
como jornalista. O seu trabalho no Jornal do Commercio e seu
caminho cruzado com o de Luiz Beltrão, que representou
uma tomada de decisão e opção pela vida
acadêmica.
Como
se fora um cinegrafista, um diretor de cinema, Melo corta mais
uma vez a história sobre os personagens e cenários
do jornalismo para focalizar aquilo que ele considera como as
Evidências: falará sobre o jornalismo esportivo,
discutirá o que é mídia, o que é
esporte, o que é lazer.
Na
seqüência falará sobre radiojornalismo, desde
1919; sobre telejornalismo, dando destaque a Nivaldo Marangoni.
Abrirá espaço para falar da mulher jornalista.
Tratará sobre o Artigo Científico; sobre a entrevista
jornalística como gênero informativo.
Na
parte dedicada a Polêmicas, Melo falará da exclusão
midiática; da cultura do silêncio; da brecha digital;
do gueto acadêmico; do descompasso histórico; da
crise de identidade; do jornalismo de referência; tecendo
um quadro geral do jornalismo praticado hoje em dia com uma
advertência final: tal quadro é apenas um ponto
de partida para os novos pesquisadores do fenômeno jornalístico.
A
obra finaliza com o perfil intelectual do autor, que, como se
pode ver, é amplo e controvertido, rico de atividades,
realizações e planos para o futuro, que é
agora.
Referências
bibliográficas
1.
MARQUES DE MELO, José. Jornalismo Brasileiro. Editora
Sulina, Porto Alegre, agosto de 2003, 239 págs.
2. Idem.
3. Idem.
4. Idem.
5. Idem.
6. Idem.
7. Idem.
8. Idem.
9. Idem.
10. Idem.
11. Idem.
12. Idem.
13. Idem.
14. idem.
15. Idem.
16. Idem.
17. Idem.
18. Idem.
*Profª.
Drª. Ruth Penha Alves Vianna é aluna de Pós-Doutorado
do Departamento de Jornalismo e Editoração - ECA/USP.
viannar@terra.com.br
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