A
cobertura da Folha e do Estado de S.Paulo
O discurso jornalístico sobre
a campanha presidencial de 2002
Por
Katia
Saisi*
Em
2002, foi eleito pelo voto direto o primeiro presidente
da República do Brasil oriundo da classe operária,
na maior eleição realizada no país,
em que 115 milhões de eleitores habilitados definiram
nas urnas seu futuro político. O fato, por si só,
justifica a importância de se conhecer melhor o
fenômeno.
|
Reprodução

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Mas, ao elegermos o discurso jornalístico sobre a campanha
como objeto deste estudo, nosso mote foi tentar apreender as
relações dialógicas entre este e o discurso
político, de modo a articular o lingüístico
e o social, vinculando a linguagem (verbal e não-verbal)
à ideologia, com todo seu caráter plural, dinâmico
e vivo.
Para
compreender o papel do discurso jornalístico sobre o
político, pesquisou-se o noticiário veiculado
pelos dois principais jornais impressos à época,
ou seja, a Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, em função
de suas tiragens diárias de, respectivamente, 331 mil
e 253 mil exemplares, chegando aos domingos às cifras
de 429 mil e 342 mil. [1]
A
escolha desses dois veículos paulistas deveu-se também
ao seu papel fundamental como formadores de opinião do
maior colégio eleitoral do país: em 2002, estavam
aptos a votar 25.655.553 eleitores [2] no Estado de São
Paulo, o equivalente a 22,26% do total de 115.271.811 eleitores,
ou seja, mais de 1/5 dos brasileiros. O período analisado
coincide com o início oficial da propaganda eleitoral
dos candidatos, segundo legislação do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), ou seja, de 6 de julho a 27 de outubro
de 2002, dia da eleição em 2º turno.
A
análise do corpus da pesquisa teve como referencial teórico
a semiótica de A. J. Greimas, bem como na Teoria Crítica
da Comunicação. Centra-se no estudo da linguagem
verbal e não-verbal da cobertura jornalística,
de modo a se estabelecer a relação entre o plano
de conteúdo e o plano de expressão, desenvolvendo
processos de decodificação e leitura, para extrair-lhes
a significação, ou seja, desvendar os elementos
constitutivos dos enunciados, a partir de seus constituintes
intra-signos.
Pela
dimensão que análise pormenorizada comporta, resumimos
aqui as conclusões advindas, deixando de lado a descrição
dos resultados oriundos de cada etapa empreendida na análise
do percurso gerativo de sentido.
Procedimentos
para análise dos jornais Folha de S.Paulo e O Estado
de S.Paulo
O
primeiro passo, após a captura do material publicado,
foi estabelecer uma metodologia para sua análise. O resultado
foi a elaboração de uma maneira própria
de trabalhar os dados e que consiste em apenas uma possibilidade
instrumental, uma vez que as características da amostra
propiciam diferentes modalidades de abordagem.
Optou-se
inicialmente por empreender a análise sob dois enfoques:
o quantitativo e o qualitativo. No primeiro, foram computadas
as menções que cada jornal fez aos candidatos,
independentemente de seu valor axiológico.
Já
na análise qualitativa, buscou-se apreender o "como"
cada jornal se referiu aos candidatos da perspectiva semiótica
discursiva, a partir do referencial teórico de Greimas.
Cumpre destacar, entretanto, que, durante o percurso da análise,
a metodologia empregada sofreu mudanças, de modo a melhor
apreender o significado do discurso jornalístico sobre
a campanha. O caminho adotado será oportunamente explicitado.
Análise
quantitativa
Para
uma avaliação em termos quantitativos da cobertura
jornalística, identificamos a quantidade de vezes em
que o nome de cada candidato apareceu no noticiário (aparições).
Com base nesses dados, elaboramos uma tabela comparativa entre
os dois periódicos, com o total de suas aparições
no período.
QUADRO
1 - Nº DE APARIÇÕES DOS CANDIDATOS
PRIMEIRO
TURNO
Candidato |
FSP |
%
|
OESP |
% |
Ciro |
2.775 |
24,30 |
1.399 |
23,41 |
Garotinho |
1.753 |
15,34 |
841
|
14,07 |
Serra |
3.595 |
31,48 |
1.878 |
31,44 |
Lula |
3.232 |
28,30 |
1.845 |
30,88 |
Zé
Maria |
39 |
0,34 |
9
|
0,15 |
Rui
Pimenta |
28 |
0,24 |
3 |
0,05 |
Total |
11.422 |
100 |
5.975
|
100 |
SEGUNDO
TURNO
Candidato |
FSP |
%
|
OESP |
% |
Serra |
534 |
42,38 |
466 |
39,07 |
Lula |
726 |
57,62 |
697 |
59,93 |
Total |
1.260 |
100 |
1.163 |
100 |
Considerando-se
o número de aparições total dos candidatos,
pode-se depreender que, no primeiro turno, a Folha de S. Paulo
teve uma cobertura jornalística mais intensa das eleições
que o jornal O Estado de S. Paulo, respectivamente com 11.422
e 5.975. Ressalta-se que, nos dias 7 e 8 de julho, a Folha dedicou
um caderno especial sobre o tema eleições e, a
partir do dia 18 de agosto, a prática tornou-se diária.
O
Estado só editou caderno especial nas vésperas
das eleições em primeiro e segundo turnos. Durante
todo o período anterior, o noticiário sobre as
eleições foi publicado no primeiro caderno, dividindo
espaço com matérias das editorias de Nacional,
Internacional, Religião e Ciência.
Com
relação ao segundo turno, o número de aparições
dos candidatos praticamente se iguala nos dois periódicos:
1.260 na Folha e 1.163 no Estado.
Verifica-se
também que os percentuais de citações que
os jornais fizeram de cada candidato são bastante próximos
e não houve diferença maior do que três
pontos. No primeiro turno, o destaque é dado para Serra
(31,48% na Folha e 31,44% no Estado), seguido por Lula (28,30%
na Folha e 30,88% no Estado), Ciro (24,30% e 23,41), Garotinho
(15,34% e 14,07%), Zé Maria (0,34% e 0,15%) e Rui Pimenta
(0,24% e 0,05%).
Mas
o que chamou a atenção nestes números é
que os seis candidatos tiveram cobertura bastante diferenciada.
Já no segundo turno, Lula liderou praticamente com 60%
das aparições nos dois jornais, ficando Serra
com 40%.
A
diferença do espaço dedicado a cada candidato
pode ser explicada em função da "importância
da notícia", como define a Folha em seu Manual de
Redação:
Critérios
elementares para definir a importância de uma notícia:
1.
Ineditismo (a notícia inédita é
mais importante do que a já publicada).
2.
Improbabilidade (a notícia menos provável
é mais importante do que a esperada).
3.
Interesse (quanto mais pessoas possam ter sua vida
afetada pela notícia, mais importante ela é).
4.
Apelo (quanto maior a curiosidade que a notícia
possa despertar, mais importante ela é).
5.
Empatia (quanto maior a curiosidade que a notícia
possa despertar, mais importante ela é).
6.
Proximidade (quanto maior a proximidade geográfica
entre o fato gerador da notícia e o leitor, mais importante
ela é). (Manual de Redação da Folha de
S. Paulo, 2001: 43)
Sob
este argumento, os jornais dedicaram espaços equivalentes
à posição dos candidatos nas pesquisas
de opinião. Justifica-se, portanto, o maior destaque
para Lula, que ocupou a liderança absoluta nas pesquisas
de opinião.
Se,
por um lado, as pesquisas podem explicar a preferência
da cobertura jornalística dada a Lula, por outro, entretanto,
não explicam a primazia que os dois jornais deram ao
candidato Serra, durante o primeiro turno. Ele apareceu empatado
tecnicamente com Ciro Gomes, desde abril até o final
de junho. Ciro ocupou a segunda posição até
final de agosto, quando novamente Serra voltou ao segundo lugar,
numa liderança apertada em relação a Ciro
e Garotinho
A
intenção de voto do eleitor, portanto, não
pode ser considerada como o único parâmetro para
a definição do espaço que cada candidato
ocupou nos jornais. A análise qualitativa do material
poderia dar pistas para responder a esta questão.
Análise
qualitativa
A
leitura aprofundada do material levou à identificação
de uma grande variabilidade de detalhes. O desafio, nesta etapa
do trabalho, consistiu justamente na apreensão de aspectos
significativos, particulares de cada texto e também comuns
ao seu conjunto, procurando explorar o material a partir dos
diferentes ângulos de sua possibilidade.
Decidiu-se,
então, selecionar todas as matérias em que os
seis candidatos e seus partidos (ou coligações)
eram citados, para um acompanhamento mais de perto.
Após
uma análise experimental da edição de 7
de julho de 2002, sobre o primeiro dia oficial de campanha,
percebemos ser prematura a definição da posição
ideológica do jornal a partir de uma só edição.
Percebemos ainda que tal procedimento poderia ser reducionista:
afinal, mais importante do que identificar as posições
ideológicas dos veículos de comunicação
era diagnosticar como os principais jornais do país,
em seu conjunto, tratavam o discurso político de modo
geral.
Entendemos,
nesse momento, que a própria metodologia adotada já
trazia embutida uma pré-concepção do pesquisador
perante o fenômeno eleitoral, ao dividir e tentar categorizar
as matérias a partir de seu posicionamento axiológico
sobre os candidatos, sem sequer levantar a hipótese de
que poderíamos estar perdendo uma dimensão mais
ampla que o material permitia: mais do que os julgamentos e
preferências que cada jornal fazia dos candidatos (cuja
resposta não era objetivo ou escopo deste estudo), interessava-nos
saber como o discurso jornalístico sobremodalizou o discurso
político.
Deixamos,
portanto, a análise sobre o posicionamento de cada um
desses periódicos para estudos com esta específica
finalidade.
Nosso
intento, desde o princípio, não foi identificar
a posição partidária de cada empresa jornalística
em particular, mas sim tentar melhor compreender a relação
do discurso jornalístico com o político. Coube,
neste momento da pesquisa, uma guinada no procedimento utilizado.
Novo
recorte
Após
a transcrição dos títulos das matérias
sobre cada candidato, fizemos uma leitura diária dos
dois jornais. Foi então que novas percepções
se destacaram e nos pareceram mais relevantes do que a categorização
da cobertura por candidato.
Chamou-nos
a atenção o "modo" em comum com que
ambos os jornais tratavam os "fatos" políticos,
então transformados em notícia. Alguns temas nos
pareceram mais freqüentes que outros, como o espaço
dedicado pelos dois jornais à divulgação
das pesquisas de opinião, as declarações
de um candidato sobre outro, a especulação sobre
as estratégias de marketing e a propaganda eleitoral
na TV e no rádio e a associação do movimento
de intenções de votos verificado nas pesquisas
ao mercado financeiro.
Por
fim, mas não prioritariamente, foi também dedicado
espaço para a divulgação das propostas
dos candidatos. Nossa proposta metodológica, então,
foi tentar agrupar as manifestações de cada um
desses temas, considerando-se apenas o verbal. Este empreendimento
ensejou nova rodada de leitura de todo o material. Ao longo
do período analisado, foram publicadas 114 edições
de cada um dos jornais. Portanto, foram lidos e apreciados 228
exemplares.
Diante
do volume, não caberia uma análise pormenorizada
de sutilezas. Buscamos apreender o sentido mais geral e, para
tanto, recorremos a apenas alguns exemplos que o corpus oferece
de modo a tipificar as percepções advindas.
Divulgação
de pesquisas
A
divulgação de pesquisas de opinião realizadas
por institutos vinculados ou não aos jornais ocupou espaço
significativo. A Folha de S. Paulo sempre deu manchete de capa
para os resultados do Datafolha, empresa do próprio Grupo.
O Estado, por sua vez, deu maior destaque aos resultados do
Ibope.
Ambos,
entretanto, não deixaram de divulgar os resultados de
outros institutos como CNT/Sensus e Vox Populi, que sempre ocuparam
menor espaço editorial.
A
Folha não dedicou apenas espaço às pesquisas
de opinião sobre a preferência do eleitor em relação
aos candidatos. Também encomendou pesquisas sobre a receptividade
do eleitor à propaganda eleitoral gratuita veiculada
na TV.
A
partir do terceiro dia do início do horário eleitoral
gratuito, a Folha inaugurou uma nova modalidade de pesquisa:
por telefone, realizada com 600 pessoas no dia seguinte ao da
veiculação da propaganda, e que representava 54%
do eleitorado. O chamado tracking - ou rastreamento por telefone
- acabou virando uma coluna veiculada três vezes por semana,
no primeiro turno, e diariamente, no segundo, sobre o IIP -
Índice de Imagem Positiva do Candidato.
Durante
todo o período da campanha eleitoral (praticamente a
cada dois dias) foi divulgada uma pesquisa, com ampla cobertura
pelos dois jornais.
Entre
7 de julho e 27 de outubro de 2002, foram anunciados os resultados
de nada menos do que 46 pesquisas no primeiro turno e 23 no
segundo. O relevante aqui é o espaço cada vez
maior que as pesquisas ocuparam no noticiário. Parece-nos
que as pesquisas acabam por ditar as regras dos pleitos, uma
vez que é em função de seus resultados
que cada candidato vai ajustar seu discurso.
Além
disso, as pesquisas podem exercer papel decisivo na decisão
do voto do eleitor, uma vez que geram o sentido no destinatário
da mensagem de serem um discurso "científico"
e, portanto, "imparcial" sobre a realidade. Funcionam,
dessa maneira, como um argumento de autoridade, em função
da objetividade "inquestionável" dos dados.
As pesquisas reforçam, portanto, o mito da neutralidade
jornalística.
Ao
mesmo tempo, há ainda o debate sobre o direito do eleitor
ter acesso à informação e a esses resultados,
de modo a tomar sua decisão. Não estamos sequer
levantando a questão de possíveis erros ou manipulações
dos dados, uma vez que acreditamos que a técnica estatística
esteja aprimorada o suficiente para captar, de fato, o que se
passa em determinado momento. Mas, justamente por isso, elas
acabam por assumir um papel de direcionar as campanhas.
Na
cobertura jornalística de 2002, foi comum os candidatos
que apareciam em baixa não darem crédito a ela
- pelo menos nas suas declarações à imprensa.
Mas o fundamental é que as pesquisas de opinião
exerceram papel de referência não só para
os eleitores, mas também para os candidatos.
Uma
questão de imagem - positiva ou negativa
A
imagem dos candidatos foi pauta do noticiário, bem como
suas estratégias de marketing, propagandas veiculadas
e suas relações com a mídia em geral. Nessa
categoria, foram publicadas durante o primeiro turno 362 matérias.
As
matérias sobre marketing e mídia revelaram que
a "aparência" do candidato foi pauta para a
imprensa. O modo como eles se vestiram, as gafes que cometeram,
o tom de seus discursos e suas semelhanças com outros
personagens (como a vinculação de Ciro a Collor,
por exemplo, ou Lula light e o "Lulinha paz e amor")
foram assuntos de grande importância no jornalismo brasileiro
durante a campanha de 2002.
As
propagandas eleitorais televisivas dos candidatos, seus produtos
de comunicação (jingles, outdoors, sites e panfletos)
usados na campanha, os showmícios que fizeram, as entrevistas
e os debates realizados pelas emissoras de televisão,
tudo foi acompanhado pela imprensa, que se dedicou a informar
o leitor não apenas sobre o conteúdo das idéias
apresentadas nesses produtos publicitários e eventos,
mas, principalmente, sobre o "clima" reinante, as
motivações de ordem estratégica, e as reações
emocionais dos candidatos.
A
cobertura da imprensa estrangeira sobre o processo eleitoral
no Brasil também ocupou as páginas da Folha e
do Estado. O noticiário dos jornais internacionais sobre
os candidatos foi reproduzido nos dois veículos.
As
estratégias de marketing foram também alvo de
cobertura jornalística: marqueteiros e candidatos explicaram
suas táticas para melhorar seu desempenho, tanto ao iniciar
ataques aos concorrentes como ao suspender as críticas
a eles. Houve também espaço para declarações
dos candidatos em defesa de algum ataque sofrido. E estes foram
muitos, amplamente coberto pela imprensa, em 238 matérias.
Os
ataques entre candidatos foram também muito freqüentes
na cobertura sobre a campanha de 2002. Os jornais dedicaram
amplos espaços a reproduzir essas críticas. Chama
a atenção a quantidade de matérias em tom
negativo sobre Ciro Gomes, que desde o início do período
oficial da campanha estava em segundo lugar nas pesquisas de
opinião.
Os
títulos contra Ciro, ou contra o candidato a vice-presidente
em sua chapa, predominaram no noticiário até o
início de setembro, quando as intenções
de voto no candidato caíram e Serra subiu nas pesquisas.
A partir de então, a disputa ficou monopolizada entre
os candidatos Serra e Lula.
Outro
tipo de matéria que ocupou espaço significativo
na cobertura da imprensa foi as que abordaram os acordos, as
alianças e os apoios de cada candidato. "Quem está
com quem" foi, portanto, notícia. Foram publicadas
244 matérias sobre estratégias e alianças.
Dessa
maneira, a imprensa funcionou como multiplicadora do recurso
publicitário: ao divulgar as alianças e acordos,
serviu aos interesses dos candidatos, legitimando midiaticamente
as relações entre as diversas instâncias
políticas.
Algumas
isotopias sobre estas imagens
Um
olhar mais atento sobre os títulos das matérias
veiculadas nos permite abstrair algumas observações
gerais acerca do discurso jornalístico durante a campanha
eleitoral, em 2002.
Em
primeiro lugar, houve uma similaridade entre a cobertura dos
dois veículos estudados. O que foi pauta em um, foi também
no outro. Não se percebeu nenhuma diferença significativa
entre os temas abordados pelos dois jornais na cobertura diária.
Aquilo que não foi dado por um jornal no dia imediatamente
seguinte ao evento, foi dado logo no posterior. Desse fato,
podemos depreender que há certa homogeneidade entre os
discursos dos diferentes veículos.
Se
isto ocorre com os dois maiores jornais concorrentes do país,
podemos pressupor que o mesmo se verifica nos menores, que não
têm a infra-estrutura logística para o acompanhamento
de uma campanha, cabendo a eles, portanto, a mera reprodução
do que os "grandes" publicaram. Evidentemente, só
ficam excluídos deste "discurso único"
os pequenos veículos que são marcados por ideologias
pontuais.
Em
segundo lugar, a imagem dos candidatos foi construída
não apenas pelo que eles próprios diziam de si
mesmos, mas sobretudo pelo que os adversários diziam
negativamente de cada um. Os ataques e críticas contra
Ciro Gomes durante todo o período em que esteve em segundo
lugar nas pesquisas foram amplamente repercutidos na mídia
e certamente contribuíram para a sua derrocada. Sua imagem
ficou arranhada tanto por suas afirmações infelizes
quanto pelo que se disse dele, levando-o à quarta posição
no primeiro turno.
A
imagem dos concorrentes foi construída não apenas
pelos discursos verbais, mas também pelas aparências:
roupas, jeito e trejeitos. Neste sentido, os jornais serviram
à estratégia do governo em derrubar o oponente
que representava a maior ameaçava ao candidato governista.
Ou seja, a imprensa esteve em sintonia com o poder em exercício.
Em
terceiro lugar, a propaganda dos candidatos e seus marqueteiros
ocuparam espaço considerável na imprensa, muito
superior ao dedicado ao debate sobre as propostas de governo,
que pouco diferiram: todos os programas versavam sobre as mesmas
questões pragmáticas. Não se discutiu posições
ideológicas e partidárias, mas sim quem seria
o candidato mais bem preparado para "administrar"
o país.
Em
quarto lugar, destaca-se a mudança que o discurso de
Lula teve ao longo da campanha - deixou de ser socialista, o
que caracterizava historicamente o Partido dos Trabalhadores,
para caminhar para uma posição de centro, promovendo,
se eleito, um governo de coalizão. Lula conseguiu reverter
toda a propaganda negativa (de que teria "duas caras",
por exemplo) em argumento positivo à construção
de sua imagem: a "mudança" proposta por Lula
não seria, portanto, uma "mudança" que
pudesse ameaçar o sistema vigente.
Outro
diagnóstico que o material ofereceu é que a divulgação
de apoios e alianças emprestou credibilidade aos candidatos.
Daí a busca de todos em conseguirem reunir aliados. Mas
este fato, para Ciro, nem sempre rendeu bons dividendos, como
no caso do apoio de ACM, cuja foto do candidato beijando a mão
do senador foi usada pelos adversários como símbolo
de associação à corrupção
(ACM havia, no ano anterior, renunciado à Presidência
do Senado, após denúncia de manipulação
do painel daquela Casa).
O
mesmo se deu em relação ao apoio de Collor à
sua campanha. O ex-presidente, cuja imagem é associada
à corrupção causadora do impeachment, não
favoreceu o candidato Ciro.
Já
Lula "faturou" os diferentes apoios recebidos, como
comprovação de que seu governo seria, de fato,
de coalizão e pacto social, referendando assim sua imagem
de "Lulinha paz e amor", que nem mesmo seus adversários
conseguiram derrubar ou mesmo a imprensa quando o acusou de
"alianças duvidosas", referindo-se aos apoios
de Maluf, ACM, militares e outras forças reacionárias.
Para os eleitores de esquerda, entretanto, dava a entender que
se tratava apenas de "efeitos discursivos", com fins
estratégicos e que, uma vez alçado ao poder, retomaria
a linha socialista. Serviu, portanto, a interesses de públicos
distintos.
A
importância da mídia no processo eleitoral foi
destaque de editorial no Estadão, no dia 12 de julho,
intitulado "A televisão testa os candidatos",
sobre as entrevistas com os quatro principais candidatos no
Jornal Nacional e no Bom Dia Brasil, ambos da Rede Globo:
(...)
proporcionaram a uma boa parcela do eleitorado, cuja fonte
primária de informação ainda é
a mídia eletrônica e, nela, os telejornais dessa
rede, a primeira visão desembaçada do que são
e pretendem os aspirantes ao lugar de Fernando Henrique (OESP,
12/07/02, p. A3).
Ao
mesmo tempo em que o texto atribui decisivo papel à mídia,
faz sua mea culpa, minimizando o papel da imprensa:
Hoje
em dia, as refinadas técnicas de persuasão de
massa nesses meios de comunicação - a videopolítica,
de que fala pejorativamente o cientista italiano Giovanni
Sartori - são recursos de uso corrente nas disputas
eleitorais, e as pesquisas captam o seu formidável
impacto. Mas seria subestimar a inteligência do público
presumir que o mais telegênico ou histriônico
entre os candidatos, ou o que tiver contratado o melhor marqueteiro,
será sempre o favorecido (OESP, 12/7, A3).
Entretanto,
sem um bom marqueteiro ou uma boa propaganda eleitoral na mídia,
não haveria bom candidato que pudesse vencer, ao menos
numa sociedade em que prevalece a cultura do espetáculo
(cf. Kellner e Debord). O fato é referendado pelas inúmeras
matérias que abordam a importância da mídia
na criação e formação da imagem
do candidato e do seu papel não apenas como veiculadora
das mensagens dos candidatos aos eleitores, mas como vigilante
do processo democrático.
Mercado
- ente vivo e determinante da pauta
Mais
curioso foi perceber o papel que o "mercado", ente
abstrato, mas reificado pela mídia, teve nas eleições.
Renato Ortiz explica o fenômeno:
A
ele nos referimos como entidade real, com vida própria,
capaz de reações semi-humanas. Diz-se dele que
tem "humores", "reage", com otimismo ou
pessimismo a determinadas medidas, tem "percepção"
do que acontece no reino da política e da vida social.
É descrito como uma entidade "sensível",
"irascível", oscilando ao sabor dos eventos,
rumores e notícias. (...) Fala-se como se estivéssemos
diante de um ser dotado de sensibilidade, inteligência
e auto-percepção, um organismo vivo, dinâmico
e envolvente (Ortiz, 2002: 3).
Dada
a importância que o "mercado" - isto é,
as relações econômicas em conjunção
com o poder e sua potencial veiculação simbólica
- assumiu no desenrolar da campanha, buscamos resgatar as matérias
que vinculavam política e mercado. Alguns dos títulos
das 165 matérias sobre o tema publicadas no primeiro
turno estão relacionados a seguir:
- "Maracujina
para o mercado", pede Ciro (FSP, 07/07, capa )
- "Voláteis,
nervosos, os momentos do mercado financeiro costumam dominar
o noticiário" (FSP, 10/07 - Editorial)
- PT
não fica refém de discurso econômico (OESP,
10/7, A6))
- Lula
afirma que PT mudou e que pagará dívida externa
(FSP, 12/7, A7)
- Lula
diz que quer diálogo, mas critica governo (OESP, 13/7,
A6)
- Serra
apóia iniciativa de Fraga e acerto com FMI (OESP, 13/7,
A8)
- Candidato
[Ciro] fez romaria para negar calote (OESP, 13/7, A7)
- Euro
passa dólar e assusta mercados (FSP, 16/7, capa)
- Para
acalmar mercados, José Dirceu vai a NY (FSP, 16/7,
A6)
- Redução
[de juros] tem 'cheiro eleitoral', afirma Ciro (FSP, 18/7,
A5)
- Candidato
[Lula] tenta mudar foco do discurso econômico. (OESP,
18/7, A5)
- FMI
busca assinatura de acordo com candidatos (FSP, 20/7, A4)
- Após
turnê nos EUA, Dirceu fala em 'trégua' com FMI
(FSP, 22/7, A4)
- 'Programa
não é resposta ao mercado', diz Lula (OESP,
22/7, A6)
- PT
tenta apagar 'sim' à suspensão da dívida
(FSP, 23/7, A7)
- Plano
do PT prega 'desprivatização' do Estado (OESP,
23/7, A4)
O
que vimos na cobertura jornalística sobre as eleições
de 2002 foi a primazia do "mercado", de modo onisciente
e transcendente, em que a mídia simplesmente reproduziu
suas reações e cobrou dos candidatos uma postura
que o "acalmasse".
O
que se pôde perceber foi que as relações
com o "mercado" marcaram o posicionamento dos candidatos
em campanha. Lula, que um ano antes já liderava as pesquisas
de opinião, foi responsabilizado pelo "nervosismo",
"irritação", "subida do dólar",
"queda das bolsas".
Para
demonstrar essa percepção da supremacia do "mercado"
como regulador da sociedade contemporânea, nada menos
do que 51 manchetes de capa dos dois jornais enfatizaram essa
relação, o que vem comprovar a primazia que o
"mercado" ocupou nos dois maiores jornais brasileiros.
Tem-se, aqui, a publicização dessa ideologia e,
portanto, a legitimação da subordinação
da sociedade ao econômico/financeiro.
Na
cobertura jornalística, observamos que os candidatos
que "obedeceram" e cumpriram a "cartilha"
do "mercado" tiveram vez, espaço e até
apoio, como foi o caso de José Serra. O Estadão
chegou até mesmo a manifestar, no editorial da edição
de 8 de agosto, que o considerava o mais preparado para governar
o país.
Quem
não se enquadrou ao "mercado", acabou excluído:
os candidatos que, por princípio ideológico, desde
sempre se posicionaram contra o neoliberalismo e suas marcas
(Alca e FMI, por exemplo), simplesmente foram banidos da imprensa,
sob o pretexto de que, por serem "nanicos", não
interessavam ao público. Foi o que aconteceu com os candidatos
do PCO e o PSTU.
Mas
isso não se deu de modo explícito. Houve sempre
uma justificativa "jornalística" e "científica"
para a exclusão dos divergentes. No primeiro dia de campanha
oficial, 6 de julho, à página A6 do Estadão,
a colunista Dora Kramer defendeu a diferente cobertura dada
pelo jornal aos candidatos, qualificando como "excrescência"
a instrução baixada pela Justiça para regular
os procedimentos da campanha em que determinou "a obrigatoriedade
de conferir tratamento e tempo igualitário a todos eles".
A jornalista deu um exemplo "prático" para
justificar essa posição:
Luiz
Inácio Lula da Silva, em primeiro nas pesquisas e,
portanto, na preferência da maioria, deve ter o mesmo
tempo e tratamento dado a mais dois desconhecidos cujas atividades
só interessam a eles próprios, os candidatos
do PSTU e do PCO. Perde a maioria, porque ou não é
informada direito sobre o que fez Lula ou é incomodada
com relatos sobre nulidades (Kramer, 2002 )
Com
relação aos demais candidatos, a imprensa cobrou
seu posicionamento frente ao mercado. Lula, Ciro e Garotinho,
por se identificarem como candidatos de esquerda, o que significaria
resistência à lógica neoliberal, sofreram
pesadas críticas.
O
Estadão, antes do início da campanha, já
se colocava como temeroso pela primeira colocação
de Lula nas pesquisas e dedicou alguns editoriais a atacá-lo.
No dia 8 de julho, abordou a investigação sobre
suposto esquema de propina na prefeitura de Santo André,
administrada pelo PT. No dia 11, criticou as alianças
do PT com o PL e do PPS com o PFL e, no dia 15, voltou ao assunto,
desta vez para questionar eventual acordo do PT com a Igreja
Universal, a quem teria prometido o Ministério das Comunicações.
O
editorial "O que os mercados temem" (OESP, 6/7, A3)
afirmou que o rebaixamento da nota do Brasil pela agência
de avaliação de risco Standard & Poor devia-se
não "aos riscos de decisões desastrosas em
política econômica que um eventual presidente Lula
poderá tomar por motivações ideológicas",
mas sim à "questão da governabilidade".
Enfim: "Lula não sabe como funciona um governo.
Fica difícil culpar os investidores pelo medo que sentem
- não de um Chávez brasileiro, mas de um brasileiro
inepto para governar o país". Ou seja, qualificou
Lula como despreparado para o cargo.
A
cobrança de um posicionamento - ou melhor, adequação
- do PT frente ao mercado foi alvo do editorial do Estadão,
"O aprendizado do PT", de 13 de julho. Neste texto,
defendeu que "o diálogo de transição
entre governo e oposição é positivo para
o país", ao abordar o encontro do presidente do
Banco Central, Armínio Fraga e o deputado petista Aloizio
Mercandante, tecendo elogios à postura do partido de
mudar seu tradicional discurso de ruptura.
Já
a Folha, mesmo sem se posicionar em termos de preferência
em relação a uma ou outra candidatura, também
assumiu a relação entre a instabilidade financeira
e alta do dólar (que chegou a valer R$ 4) com a contínua
ascensão de Lula e Ciro nas pesquisas.
O
mesmo ocorreu com os candidatos que pareciam pouco comprometidos
com o mercado - Ciro e Garotinho -, por suas críticas
ao atual governo, suas posições contrárias
à Alca e ao FMI e pelos ataques contínuos ao sistema
financeiro: sofreram pesados reveses na construção
de suas imagens: Ciro foi associado à Collor e Garotinho
a um fanfarrão. Ambos foram atacados pelos adversários,
recebendo maior destaque na mídia justamente quando ascenderam
nos índices de intenção de votos.
Com
o passar da campanha, entretanto, tendo o candidato petista
assumido o discurso "pacifista" e de coalizão
com as mais diversas forças políticas e dado mostras
de que não seria um governo socialista - como pregava
na origem seu partido -, acabou contando com a benevolência
dos veículos. No segundo turno, ocupou maior espaço
e sofreu menos ataques. Lula chegou às urnas já
consagrado como presidente da República do Brasil, como
atestam os manchetes de capa dos dois jornais no dia 27 de outubro,
data do pleito em segundo turno:
- "Pesquisa
aponta vitória de Lula para presidente hoje" (FSP,
27/10)
- "Pesquisas
indicam Lula presidente" (OESP, 27/10)
O
mais curioso é que ambos jornais se congratularam, em
editoriais, sobre a ampliação da democracia verificada
no pleito de 2002, pela maior cobertura jornalística
e maior espaço para debates:
O
pleito de hoje - com a alternância no poder a que deverá
conduzir - completa um processo de consolidação
das instituições democráticas brasileiras,
cuja importância talvez seja percebida com mais acuidade
no exterior que no Brasil. Apesar das inquietações
com os rumos do governo Lula que se anuncia, os observadores
estrangeiros registram, com uma mistura de surpresa e admiração,
que, em matéria de amadurecimento político,
o Brasil se tornou inequivocamente "um país sério"
(...). É certo que a sociedade está ciente de
que esta eleição foi "uma vitória
da democracia", como se diz. (...) O sistema estimulou
a confiança recebida, ao levar o eleitor a crer que
o seu sufrágio tem valor, porque as regras do jogo
democrático, além de legítimas funcionam
(OESP, 27/10/02, A3).
A
Folha por seu turno qualificou o processo como "transição
exemplar", e assim intitulou seu editorial no dia 26 de
outubro: "Está praticamente tudo preparado para
que a transição do governo Fernando Henrique Cardoso
para o de seu sucessor seja a mais organizada, correta e eficaz
possível". O texto elogiou a maneira como o então
presidente Fernando Henrique conduziu o processo.
Em
editorial do dia 6 de outubro, data do pleito em primeiro turno,
este jornal abordou o papel dos meios de comunicação:
Cada
um a seu modo, imprensa e Ministério Público
deram passos decisivos rumo à sua consolidação
como instituições de controle do exercício
do poder. (...) A prática do jornalismo também
se aperfeiçoou em busca de um modelo de atuação
cada vez mais independente. Aprimorou-se tecnicamente. Este
jornal, que sempre cultivou a independência, o pluralismo
e o apartidarismo como pilares de sua política editorial
e procurou submeter candidatos e partidos, sem distinção,
ao mesmo filtro crítico, contribuiu para esse processo.
O exercício pleno desse jornalismo crítico,
independente e pluralista, entende esta Folha, obriga o jornal,
diferentemente do que fazem outros veículos de mídia,
a não apoiar nenhum candidato à Presidência,
a governo de Estado ou a qualquer outro cargo eletivo. (FSP,
06/10, A2)
A imprensa procurou, portanto, reforçar o sentido de
que seu próprio discurso desempenhara papel de vigilantes,
informantes, fornecedores de informação para o
livre exercício democrático, sem deixar brecha,
em nenhum momento, para que o destinatário de suas mensagens
pudesse questionar a supremacia da lógica do mercado
como determinante dessas escolhas.
Considerações
sobre a cobertura jornalística
O
que se pode depreender dessa análise macroscópica
da cobertura jornalística, (o material, sem dúvida,
permite ainda outras abordagens) é que vivemos de fato
uma simulação de democracia ou um simulacro de
democracia virtual, em que as pesquisas de opinião, o
jornalismo e a propaganda contribuem para criar um palco, um
cenário, em que são atores apenas aqueles que
conhecem o script. Não houve espaço, como na arte,
para improvisações.
O
diretor do espetáculo - o "mercado" - não
permitiu vozes dissonantes. A racionalidade técnica,
de que falavam Adorno, Horkheimer e Benjamin, impediu que novas
idéias - ou mesmo antigas idéias, mas divergentes
- fossem, de fato, conhecidas e debatidas. Escolheu-se entre
os que se enquadravam ao esquema de mercado, sem se ter a chance
de questionar as ofertas.
Discutimos
quem era o mais competente para administrar o país sem
pôr em risco o sistema. Ou seja, escolhemos o "gerente"
da "empresa Brasil" e acreditamos ter sido esta uma
livre escolha.
A
cobertura jornalística serviu não apenas para
formar a "imagem" dos candidatos, mas também
para formar ou manter a imagem de seu próprio discurso,
como imparcial e objetivo.
Recorrendo
à pergunta que Beth Brait tão oportunamente formulou
e que nos parece mais do que adequada para compreender o fenômeno
eleitoral: "Essa polifonia enunciativa revela um democrático
processo dialógico ou unicamente uma cacofonia polienunciativa?"
(Brait, 1999: 26).
Acreditamos
que o discurso jornalístico, sob a lógica da aparência,
do espetáculo, da "imagem" criada, não
se configurou como um espaço para a pluralidade de idéias.
A mudança, tão apregoada por todos os candidatos
não significou mudança de fato.
Não
houve, por parte do eleitor, a opção entre diferentes
alternativas, mas apenas entre diferentes "marcas"
de candidatos que se apresentavam como portadores de uma "mudança"
que não existiria.
Lula
só foi "viabilizado" após adequar seu
discurso e sua imagem à lógica do mercado. Quem
não o fez, acabou descredenciado pela mídia. A
política está, portanto, mercantilizada e mediatizada.
Referências
bibliográficas
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Theodor e HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento.
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1985.
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do método sociológico na ciência da linguagem.
São Paulo: Hucitec, 1981.
BARROS,
Diana Luz Pessoa de. Teoria semiótica do texto. 4ª
ed., São Paulo: Ática, 2001.
______.
Teoria do discurso: fundamentos semióticos. São
Paulo: Humanitas / FFCLCH / USP, 2001.
BARTHES,
Roland. Elementos de semiologia. 14ª ed., São Paulo:
Cultrix, 2001.
______.
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1989.
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D'Água Editores, 1991.
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Costa Lima, São Paulo: Paz e Terra, 2000.
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Mobilis in Móbile, 1991.
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Jean-Marie. "Alguns conceitos fundamentais em semiótica
geral", In: Documentos de Estudo do Centro de Pesquisas
Sociossemióticas. Vol. 1. São Paulo: Centro de
Pesquisas Sociossemióticas, 2001.
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Wolfgang F. Crítica da estética da mercadoria.
São Paulo: Editora Unesp, 1996.
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Fredric. Pós-Modernismo - a lógica cultural do
capitalismo tardio. São Paulo: Editora Ática,
1996.
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Douglas. A Cultura da mídia - estudos culturais, identidade
e política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru/SP:
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Renato. "Técnica, magia e mercado". In: Folha
de S. Paulo - Caderno Mais!, 6 de outubro de 2002, p. 3.
PAIS,
Cidmar Teodoro. "Estruturas de poder dos discursos: elementos
para uma abordagem sociossemiótica". In: Língua
e Literatura, nº 7. São Paulo: FFLCH-USP, 1978.
Periódicos
FOLHA
DE S.PAULO - de 6 de julho a 27 de outubro de 2002.
O
ESTADO DE S.PAULO - de 6 de julho a 27 de outubro de 2002.
Notas
[1]
Dados fornecidos pelos respectivos departamentos comerciais,
em outubro de 2002. O terceiro colocado no ranking era O Globo,
com tiragem de 247 mil exemplares nos dias úteis e 374
mil aos domingos.
[2]
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral.
*Katia
Saisi é jornalista,
pós-graduada em Comunicação e Marketing,
mestre em Comunicação e Mercado e doutoranda em
Ciências Políticas. Docente no curso de graduação
em Publicidade e Propaganda da Universidade Anhembi Morumbi
e no curso de especialização em Marketing Político
e Propaganda Eleitoral da ECA/USP. Pesquisadora do NIELP (Núcleo
Interdisciplinar de Estudos da Linguagem Publicitária)
na ECA/USP e do Grupo de Estudos da Comunicação
na Sociedade do Espetáculo (Cásper Líbero).
É diretora da Pluricom Comunicação Integrada.
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