Comunicação
interna colaborou com aumento da produtividade da General
Motors
Por
Rose Naves*
|
Reprodução

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Na
última década do século XX, a General Motors
do Brasil (GMB) se especializaria em gerenciar os recursos humanos
para conquistar o envolvimento de seus empregados para com as
metas da corporação.
Para
garantir o processo de envolvimento dos empregados, a GM adotou
medidas que reduziram os níveis hierárquicos dentro
da empresa, inclusive a diferenciação no uso do
restaurante e dos uniformes. O investimento em treinamento dos
trabalhadores foi outro meio utilizado. Por ele, buscou-se capacitar
o funcionário a quatro níveis de atuação:
assistir, fazer, supervisionar e ensinar.
Contudo,
a eficácia dessas medidas foi garantida por ações
no âmbito da comunicação interna, como buscarei
expor a partir dos dados coletados para a construção
da dissertação de mestrado da autora.
A
revista interna da GM na década de 90, "Panorama",
expressou em matérias feitas com os próprios empregados
à nova filosofia da empresa. Nas palavras de Gaudêncio
Torquato, a revista Panorama "contribuiu para o desenvolvimento
e a manutenção de um clima positivo propício
ao cumprimento das metas estratégicas da organização
e ao crescimento continuado de suas atividades".
A
nova cultura foi o alicerce para o desenvolvimento de políticas
no sentido de melhorar a produtividade e competitividade. Por
ela, disseminava-se a idéia de que "ninguém
conhece melhor o trabalho do que aquele que o executa".
Na mente do então vice-presidente da GM, André
Beer, essa concepção estava muito clara. A revista
Panorama serviu de ferramenta para transmiti-la.
"O
tempo do individualismo desenfreado ficou para trás.
As palavras-chaves agora são outras: parceria, trabalho
em equipe, melhoria contínua, comprometimento. Isso
mesmo: comprometimento que, em síntese, representa
a ação com emoção. Esta é
uma palavra nova, ideal para esses tempos que temos pela frente,
nos quais a competição vai ficar cada vez mais
acirrada. A General Motors do Brasil está investindo
numa mudança cultural significativa em sua filosofia
de trabalho, para que possa se manter no mercado..."
(André Beer, 1996)
Revista
interna abordou mudanças
Nos
anos 90, do século passado, a organização
do trabalho dentro da GM deu-se por seis módulos de treinamento:
noções e técnicas para o trabalho em times,
técnicas para participar/conduzir reuniões do
time, padronização de tarefas, análises
de problemas I (introdução) e II (estudo de casos)
e capacitação em qualidade.
O
trabalho em grupo (equipes ou times) foi outro meio encontrado
para o empregado participar de forma ativa. O grupo recebia
a responsabilidade de cumprir funções atribuídas
anteriormente às gerências. Logo, se um indivíduo
do grupo falhasse, ele passava ser cobrado pelos próprios
colegas e não mais pela gerência.
Os
novos conceitos foram implantados pela GM por meio de programas.
O Processo de Melhoria Contínua (PMC) foi um deles. A
planta de São José dos Campos serviu de laboratório
para a experiência do programa, que demonstrou-se eficaz.
A idéia básica do PMC era racionalizar o processo
produtivo, evitando todo o tipo de desperdício: de matéria-prima,
mão-de-obra, tempo e espaço. A condição
para o sucesso do PMC, porém, era conquistar o envolvimento
dos empregados com seus objetivos e assim aconteceu.
Em
27 de janeiro de 1992, na área de fundição
de ferro da fábrica de São José dos Campos,
funcionários, supervisores e gerências do setor
se reuniram, durante uma semana, com outros profissionais que
também trabalhavam no local. Juntos, eles fizeram um
levantamento das dificuldades que enfrentavam para desenvolver
suas atividades, assim como dos possíveis desperdícios,
além de darem sugestões para a melhoria do processo
produtivo. Resultado: após uma semana, o inventário
foi reduzido em 1.230 machos (ferramenta para rosquear parafusos)
e o tempo de resposta passou de 3.168 minutos para 1.868. [1]
Segundo
Jacques Mesquita Filho, à época gerente das Fundições
de Ferro, Alumínio e Injetoras de Plástico:
"(...)
Um ponto que devia ser destacado no PMC é a motivação
que está gerando nos funcionários, resultado
da satisfação que estes sentem ao verem sua
idéia, ou a de seu companheiro, implantada rapidamente.
Devemos aos nossos funcionários o fato de termos solucionado
uma grande série de problemas que nós, que não
estamos no chão da fábrica todo o dia, não
temos condições de identificar".
Em
setembro de 1994, a revista Panorama trazia o seguinte artigo,
intitulado: "Você tem uma idéia? Vamos discutí-la":
"Responda
rápido: quem é a pessoa mais indicada para dizer
como uma determinada atividade industrial ou administrativa
pode ser melhorada, permitindo que haja redução
de custos e aumento de qualidade no que diz respeito aos seus
processos e ao produto final? Acertou quem disse: o próprio
encarregado de executar esse trabalho. Pode até parecer
óbvio. Mas, exatamente por sua simplicidade, a filosofia
de ouvir diretamente os funcionários é a que
mais resultados práticos tem trazido às empresas
atualmente. A General Motors do Brasil está experimentando
esse gostinho de sucesso. A participação de
seus funcionários nos diversos programas internos de
qualidade vem atingindo níveis muito bons, numa indicação
clara de que este é, realmente, o caminho a ser seguido".
No
ano de 94, o índice de aprovação de sugestões
dos empregados ficou na casa de 46%. O objetivo da corporação,
no entanto, era atingir níveis tão elevados quanto
os obtidos na Nummi - joint-venture entre a GMC e a Toyota,
nos EUA, que tinha 70% de sugestões aprovadas -; os da
Cammi - joint-venture entre a GM do Canadá e a Suzuki,
com 86% de aprovação - e, mais para frente, os
índices da Toyota - que registravam 96% de sugestões
dos empregados aprovadas. [2]
O
Programa de Sugestões, em conjunto as outras iniciativas,
também tornou-se uma ferramenta central para melhorias
contínuas nas linhas de produção, nos processos
administrativos e, especialmente, na redução de
custos.
De
fevereiro de 1992 a dezembro de 1994, foram realizados 1093
PMCs, que obtiveram como resultados a redução
de 47,4 mil metros quadrados de área total nas fábricas
de São José dos Campos e São Caetano do
Sul, e uma redução de estoque de até 82%,
correspondendo a uma economia de US$ 5,44 milhões. Além
desses resultados, foram obtidos ganhos de produtividade de
até 72%, aumentando a capacidade de produção
de 20 para 25 veículos por hora.
Na
revista Panorama nº 5, de maio de 1995, a GM expunha exemplo
de como o programa era fundamental para a corporação.
Na planta de São Caetano do Sul, naquele ano, o campeão
de sugestões tinha sido o ferramenteiro Décio
José Gomes, com mais de 33 sugestões aprovadas:
"Em
contato direto com a linha de produção, Décio
usa seus conhecimentos e apurado senso de análise e
observação para indicar novas soluções.
Algumas sugestões surpreendem pela riqueza de detalhes,
como a que gerou, no ano passado, um prêmio máximo
de R$ 6.000,00 para ele e economia de tecido no corte dos
estofamentos do Omega CD e GLS. Seguindo um programa de computador,
o corte era feito de maneira pouco econômica. Décio
propôs nova disposição dos moldes sobre
os tecidos, gerando a economia de uma faixa de tecido de 8
cm de largura por 120 cm de comprimento. "Além
disso, sugeri modificações nos equipamentos
e na costura das peças, uma máquina de costura,
em vez de duas, e a economizar 80 metros de linha em cada
carro", exulta o ganhador do prêmio máximo.
No ano, Décio somou US$ 15,9 mil em prêmios e
promoveu, com sua contribuição, economia de
US$ 245,4 mil à companhia".
O
programa permitiu à montadora obter opiniões e
sugestões que ajudaram a qualificar a produção
dos produtos. Somente em 1996, a empresa recebeu 24.310 sugestões.
Até 1997, GMB já havia aprovado 348.573 propostas
feitas pelos funcionários, que produziram economia global
de nada menos que US$ 82,6 milhões. No mesmo período,
para os funcionários premiados pelas sugestões
foram destinados US$ 12 milhões. [3]
O
Processo Integrado de Comprometimento (PIC) foi outro programa
colocado em ação com o mesmo fim, ou seja, envolver
os empregados com as metas da empresa. A GM rompia de vez com
um dos preceitos fordistas que era o de não considerar
os conhecimentos dos operários. Coriat definiu esse processo
como a via japonesa de transformar os operários em parceiros,
em profissionais polivalentes.
"Este
movimiento de desespecialización de los obreros profesionales
Y calificados para transformarlos en trabajadores multifuncionales,
es a todas as luces un movimiento de racionalización
del trabajo en el sentido clásico del término.
Se trata aquí también - como en la vía
taylorista estadunidense - de atacar el saber complejo del
oficio de los obreros calificados, a fin de lograr el objetivo
de disminuir su poder sobre la producción y de incrementar
la intensidad del trabajo". [4]
Artigos
ajudaram elevar a auto-estima
Ao mesmo tempo que transmitia as novas diretrizes da GM, a revista
Panorama elevava a auto-estima dos funcionários, impulsionando
um ambiente positivo durante as horas de trabalho.
A
seguir, transcrevo artigo publicado na revista Panorama nº
3, de julho, agosto e setembro de 1999, no qual é possível
ilustrar como se caracterizou a política de recursos
humanos dentro da empresa, valendo-se da comunicação
interna.
"De
bem com a vida
Ter
satisfação no trabalho, manter boas relações
com os colegas e superiores, sentir-se valorizado e integrado
ao ambiente. São condições individuais
que podem conduzir ao comprometimento e influenciar na conquista
do objetivo coletivo da empresa, de produzir com qualidade
para o entusiasmo do cliente. Para difundir esse ambiente,
a General Motors do Brasil vem desenvolvendo o Processo Integrado
de Comprometimento (PIC), que está completando três
anos. Um projeto ousado, de aplicação simples
e importância estratégica para a Organização.
O
PIC, está na base da política de Recursos Humanos
da General Motors do Brasil, fundamentada na participação
e no comprometimento. Mas, ao contrário dos programas
tradicionais de gestão de pessoas, é regido
pela informalidade e movido pelo entusiasmo de quem trabalha
na Organização, independente do cargo ou da
função que ocupe. "Trata-se de um modelo
que acredita na comunicação mais íntima
com os funcionários, que se adapta muito bem às
culturas latino-americanas", diz Paulo Moreira, diretor
de Recursos Humanos da GMB.
O
PIC atua sobre o comportamento, trabalha valores como afetividade
e auto-estima, estimula a cooperação e a criatividade
do funcionário, visto como um cliente. "Antes
de vender um produto é preciso 'vender' a organização
que faz esse produto, para dentro e para fora. O cliente compra
alguma coisa porque respeita a empresa que a faz" - explica
Paulo Moreira. No PIC estimula-se o espírito de equipe.
Os problemas são de todos. Todos são fabricantes
e vendedores de produtos e de peças Chevrolet.
Boa
Conversa
Por
isso mesmo, os esforços do PIC são voltados
para aproximar empresa e funcionário. E os meios que
aplica para atingir sua população interna são
pouco ortodoxos. Não há relatórios, comunicados
internos ou convocações.
Toda
essa papelada é substituída pelo contato pessoal,
exercido principalmente pelos multiplicadores, pessoas voluntárias
formadoras de opinião no ambiente em que trabalham,
que assimilaram os conceitos do programa e os praticam com
naturalidade em seu dia-a-dia.
"Não
é possível estabelecer um ambiente agradável
nem estimular padrões positivos de comportamento por
meio de comunicados. É preciso saber como as pessoas
se sentem. A prática regular de boa conversa e a atitude
que cada um adota no dia-a-dia em relação aos
colegas é o que conta", destaca Paulo Moreira.
Para
dar seus recados, o PIC usa também outdoors, guardanapos
dos restaurantes internos das fábricas e a folha do
comprovante de pagamento, sempre com frases em linguagem direta
e bem-humorada.
Com
tal informalidade, como é possível avaliar os
progressos do programa? A resposta do diretor de RH da GM
veio rápida e segura: "Somos a indústria
automobilística que tem menos citações
trabalhistas", deduz Paulo Moreira.
Existem
ainda outros instrumentos aplicados nesse diagnóstico.
Uma pesquisa mensal junto aos funcionários, denominada
Temperatura da Organização, que avalia o grau
de satisfação de cada um, é um deles.
Seus resultados norteiam os valores do PIC. O questionário,
sobre o ambiente de trabalho, gestão, salários,
benefícios, relacionamento entre pares e chefe-subordinado,
e até questões sindicais, é enviado ao
funcionário na data de seu aniversário. Cabe
a ele decidir se responde ou não.
Jogando
no mesmo time
"Aprendemos
que a satisfação dos nossos funcionários
é diretamente proporcional ao seu comprometimento com
os objetivos da empresa. Por isso a prática do PIC
está fundamentada no respeito aos valores humano. Como
mudar comportamento não é algo que conseguimos
da noite para o dia, desenvolvemos formas para a prática
dos valores do PIC e programas institucionais baseados no
modelo Kaizen, um processo gradual de melhoria contínua",
explica Valdirene Silva, representante de Relações
do Trabalho da GMB e coordenadora do PIC.
K:
Zero, um, dois
O
K (de Kaizen) zero foi o início, a fase da difusão
cultural, da conscientização, de passar para
as pessoas a importância da mudança cultural.
"Vivíamos um momento em que cada departamento
parecia representar uma empresa diferente. As pessoas agiam
como se estivessem competindo umas com as outras. Então
mostramos essa deformação, realizamos encontros
nos quais falava-se de comportamento, de atitude, de pessoas,
de valores. Todo um trabalho foi feito sobre a importância
do papel de cada um aqui, papel na família, papel na
sociedade", conta Valdirene.
A
fase K1 é a do desenvolvimento cultural, da prática
dos valores do comprometimento, de rotinas gerenciais segundo
os padrões do PIC. Embora o processo PIC não
tenha caráter obrigatório e seja implantado
por solicitação das áreas interessadas,
o K1 está presente em 70% da GMB.
O
K1 compreende quatro rotinas básicas para a prática
dos valores essenciais do programa, a auto-estima, a empatia,
e afetividade: Rotina 1, gestão itinerante - administração
preventiva, o gerente sai de sua sala e vai até o funcionário
para conversar sobre o seu dia-a-dia ; Rotina 2, cartão
de aniversário - o funcionário recebe do gerente
da área em que trabalha uma mensagem personalizada
no dia de seu aniversário; Rotina 3, pin comemorativo
- na data em que completa de 5 a 50 anos de GM, o funcionário
recebe do gerente um pin com os anos de "casa" gravados;
Rotina 4: papo do dia - conversa sobre tudo, menos sobre trabalho,
com objetivo de valorização do funcionário
como indivíduo.
O
PIC não pára. Com o propósito de desenvolver
a habilidade de liderança já está promovendo
um seminário para os níveis de chefia na fase
K2 o qual aborda temas como ser eficaz em comunicação,
em relacionamento, como gerenciar insatisfações
no ambiente de trabalho, e como administrar conflitos".
Observa-se
nas revistas Panoramas do período mencionado, portanto,
um intenso trabalho incitando o comprometimento dos funcionários
para com as metas da empresa. Por essas publicações,
o empregado foi orientado e também virava notícia
em suas páginas. Ou, seja, o reconhecimento do esforço
e do desempenho dos operários tornava-se público,
virava exemplo para todos.
Foi
possível verificar também que parte importante
das transformações ocorridas na GM na década
de 90 foi viabilizada pelas sugestões dadas pelos empregados.
"Os elementos de sinergia intersetores, contribuíram
para o desenvolvimento do conceito de trabalho cooperativo"
(Torquato, 2004).
Em
1995, a empresa revelou na revista Panorama que passava a ser,
em fevereiro daquele ano, a primeira indústria automobilística
da América Latina a conquistar a certificação
ISO 9002, documento que atesta a capacidade da empresa em produzir
veículos de passageiros dentro de padrões de qualidade
internacionais. O documento referia-se às fábricas
de São Caetano do Sul e de São José dos
Campos. Para falar sobre isso, a revista entrevistou o gerente
de administração de qualidade, Edgar Lourençon,
que explicou como foi possível obter a certificação:
"A
participação dos funcionários foi a melhor
possível. Na verdade, o que fizeram foi dar continuidade
a um trabalho que já desenvolvem normalmente. No seu
dia-a-dia, estão empenhados na busca da melhoria contínua
de qualidade. O que se viu em toda a General Motors do Brasil
durante o período em que buscamos a certificação
foi uma continuidade natural dessa preocupação.
O envolvimento foi total". [5]
Michael
Burawoy, em 1990, definia esse processo de estímulo pessoal,
trabalho participativo, "valorização"
do indivíduo para envolver os empregados com as metas
da empresa da seguinte forma: "...Hoje em dia, as gerências
não podem mais confiar exclusivamente na coação
econômica do mercado, nem podem impor um despotismo arbitrário.
Os operários devem ser persuadidos a cooperar.
Os interesses dos trabalhadores devem ser coordenados com os
do capital. Os regimes despóticos dos primeiros anos
do capitalismo, nos quais prevalecia a coerção
sobre o consentimento, têm que ser substituídos
por regimes hegemônicos, em que o consenso predomina,
embora não se exclua totalmente a coerção".
[6]
No
saber de seus empregados, a GM encontrou importantes saídas
para se manter competitiva. Um novo perfil de trabalhador passou
a ser valorizado.
"...valoriza
traços como participação, iniciativa, raciocínio
e discernimento. Da perspectiva da empresa, não basta
mais contar com o típico "operário-padrão",
pronto a "vestir sua camisa da empresa". É
preciso, antes de tudo, garantir o trabalhador "competente"
capaz de "pensar pela empresa". [7]
Diferentemente
dos anos da produção em massa fordista, onde concepção
e execução estavam totalmente separadas, a década
de 90 dentro da GM aprofundou integração dessas
duas funções.
Para
a corporação, essa junção foi fundamental
ao eliminar grande parte dos problemas de chão de fábrica,
aumentando assim sua produtividade.
Vale
destacar que, em que pese todas inovações ocorridas
dentro das unidades da GM, as tradicionais formas tayloristas/fordistas
não foram totalmente abandonadas. O estudo de tempos
e de movimentos continua presente, bem como a padronização
de processos. As linhas de montagem não foram substituídas.
Seguem
em curso, a busca constante para eliminar os chamados "tempos
mortos" e o uso do conhecimento dos trabalhadores sobre
as particularidades do processo produtivo, intermediados todo
tempo pelos recursos da comunicação.
Considerações
Finais
Ao
estudar as funções da linguagem, Bakhtin concluiu
que a palavra é um fenômeno ideológico por
excelência. Para ele, a palavra era o modo mais puro e
sensível de relação social. Foram nelas
que a GM buscou o meio para transmitir suas estratégias
para o conjunto dos funcionários.
A
revista Panorama foi um dos veículos que ajudou a gerar
consentimento e produzir aceitação das equipes
de trabalho, além de implementar um processo de consenso
sobre os valores da empresa.
Ao
ler a publicação, o funcionário formava
um pensamento favorável ao bom desempenho de suas atividades.
Ao mesmo tempo que a revista era porta-voz dos interesses da
GM trazia informações de interesses dos empregados.
Essa interação colaborou para estreitar as relações
humanas dentro da empresa.
O
caso da GM revela que a comunicação interna tomou
dimensão estratégica na condução
dos negócios das empresas. Ao envolver seus funcionários
com seus objetivos, a empresa ganhou fôlego competitivo
para chegar ao século XXI como líder no mercado.
Referências
Bibliográficas
BAKHTIN,
Mikhail. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Editora: Hucitec.
São Paulo, 1986.
BURAWOY,
Michael. A transformação dos regimes fabris no
capitalismo avançado, in Revista Brasileira de Ciências
Sociais. Anpocs, nº 13, 1990.
CHINEM,
Rivaldo. Assessoria de Imprensa - como fazer. Editora: Summus.
São Paulo, 2003.
CORIAT,
Benjamín. Pensar Al Revés - Trabajo y Organización
en La Empresa Japonesa. Siglo Veintiuno Editories, 1995.
LEITE,
Elenice M. Reestruturação Produtiva e Mercado
de Trabalho no Brasil. Reestruturação Industrial,
Cadeias Produtivas e Qualificação. Editora: Hucitec.
São Paulo, 1997.
REGO,
Francisco Gaudêncio Torquato do. Jornalismo Empresarial
- Teoria e prática. Editora Summus. São Paulo,
1987.
__________.
Comunicação empresarial e comunicação
institucional - conceitos, estratégias, sistemas, estrutura,
planejamentos e técnicas. Editora: Summus. São
Paulo, 1986.
__________.
Tratado de Comunicação organizacional e política.
Editora Summus. São Paulo, 2004.
Notas
[1]
Revista Panorama, nº 6. São Paulo, junho de 1992,
p. 8-10.
[2]
Revista Panorama, nº 9. São Paulo, setembro de 1994,
p. 10-11.
[3]
Revista Panorama, nº 5. São Paulo, maio de 1997,
p. 10-12.
[4]
Benjamin Coriat. Pensar Al Revés. Siglo Veintiuno Editores,
1992, p. 41.
[5]
Revista Panorama, nº 5. São Paulo, maio de 1995.
p. 4-5.
[6]
Michael Burawoy, 990.
[7]
Elenice M. Leite. Reestruturação Produtiva e Mercado
de Trabalho no Brasil. Reestruturação Industrial,
Cadeias Produtivas e Qualificação. São
Paulo, Hucitec - Abet, 1997, p. 163.
*Rose
Naves é jornalista.
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