Artigos
Local
X nacional
na imprensa regional:
Um estudo sobre a cobertura política
do Diário do Grande ABC em
2002 e 2003
Por
Verónica P. Aravena Cortes e Vanessa Ramalho*
|
Reprodução

|
Introdução
Nas
últimas décadas, a imprensa regional tem ganhado
destaque por tornar visíveis as demandas da comunidade
na qual está inserida, constituindo-se um espaço
de discussões locais. Acredita-se que a imprensa regional
constituiu um dos pilares possíveis para a criação
de um espaço público, na medida que sua atuação
está próxima da decisão política
e da vida cotidiana das pessoas. No entanto, existem veículos
regionais que estão inseridos em espaços estratégicos
e em certas conjunturas sua cobertura do acontecer nacional
adquire conotações particulares.
Neste
trabalho procuramos discutir a participação da
imprensa regional na formação de um espaço
público local e suas vinculações com as
discussões nacionais. Tomamos como objeto de estudo O
Diário do Grande ABC, um veículo
que há mais de quatro décadas participa da vida
social e política da região.
Neste
trabalho apresentaremos algumas análises da cobertura
do Diário durante as eleições de
2002 e no primeiro ano do governo Lula.
O
Diário do Grande ABC está inserido
numa localidade que detém um dos maiores PIBs do Brasil,
sendo vizinho à maior metrópole do país.
O ABC é uma região conhecida mundialmente pela
sua cultura política e atualmente se destaca pelo seu
potencial mercado consumidor, o terceiro do país. Por
outro lado trata-se de um veículo fincado numa região
na qual Luis Inácio Lula da Silva fez carreira sindical
e política, sendo o berço do Partido dos Trabalhadores,
agremiação que atualmente conduz os destinos do
país.
1.
Global e local
Nas
últimas décadas criou-se o consenso de que vivemos
em tempos de globalização, uma vez que presenciamos
uma profusão frenética de intercâmbios globais.
Nesta interconexão do mundo o desenvolvimento da tecnologia
e, mais especificamente, dos meios de comunicação
teve um papel crucial, estes passaram a monopolizar ou a influenciar
decisivamente grande parte das informações e interpretações
sobre o que ocorre pelo mundo. Por se constituir na época
da eletrônica, Ianni define a sociedade global como "invisível
e incógnita, presente e presumível, indiscutível
e fugaz, real e imaginária". (1999, 26)
Rubim
também ressalta que o espaço eletrônico,
engendrado pela revolução das comunicações
em rede, emerge como registro quase desmaterializado, como espaço
sem território. (2000) Por isso, Ianni considera que
a mídia parece priorizar o espetáculo do videoclip,
da fragmentação, já que ela "pasteuriza"
a economia e a sociedade, a política e a cultura, a geografia
e a história, o indivíduo e o mundo. (1999, 146)
É
neste contexto contraditório de globalização
que se torna importante trabalhar outras formas de informação
e de comunicação que corresponderiam à
necessidade de preencher as lacunas deixadas pela mídia
globalizada na questão da revalorização
do espaço local.
A
era do globalismo se caracteriza como uma realidade problemática
e contraditória atravessada por movimentos de integração
e fragmentação. Octavio Ianni acredita que, ao
mesmo tempo que essa era possibilita uma pluralidade de identidade,
propicia também uma "avassaladora homogeneização",
em que "se desenvolve uma cultura transnacional, na qual
tudo o que é local ou nacional se recria como mundial,
desterritorializado, virtual". (1999, 15)
"O
globalismo pode recobrir, impregnar, mutilar ou recriar as
mais diversas formas de nacionalismos, assim como de localismos,
provincianismos, regionalismos e internacionalismos. Nem sempre
anula o que preexiste, mas em geral modifica o lugar e o significado
do que preexiste". (Ianni, 1999, 188)
O autor defende que a sociedade global é o "novo
palco da história" e a esfera predominante e decisiva
em termos históricos, ao argumentar que o globalismo
prevalece em relação a localismo, nacionalismo
e regionalismo.
"O
globalismo tende a subsumir as outras configurações
sociais e muito do que ocorre em âmbito local, nacional
e regional tende a estar mais ou menos decisivamente determinado
pelas configurações e pelos movimentos do globalismo.
Nesse sentido, é que o globalismo pode ser importante,
ou até mesmo decisivo". (Ianni, 1999, 193)
Por outro lado, há autores que valorizam o espaço
local. Ladislau Dowbor (1996) defende esse espaço como
uma esfera de plena revalorização e de transformação
que estimula a participação da população
e, conseqüentemente, possibilita a democratização
da sociedade.
"É
no nível da administração local que a
participação popular e a tão necessária
democratização nos nossos países é
efetivamente possível, ou pode progredir com maior
rapidez, (...) na medida em que o cidadão pode intervir
com muito mais facilidade em assuntos da sua própria
vizinhança - e dos quais tem conhecimento direto -
sem a mediação de estruturas políticas
distantes." (1996, 53-54)
Além
desses dois posicionamentos, também é possível
identificar autores que trabalham com a idéia de "glocalidade".
Segundo Antônio Rubim, o termo "glocalidade"
foi usado por G. Benko, em 1990, para identificar a contração
entre global e local. Essas duas categorias adquirem uma modalidade
específica de conexão, uma vez que a globalização
não pode mais ser assimilada como mera internacionalização,
mas simultaneamente como acesso e presença cotidianos
de fluxos e estoques culturais. (Rubim, 2000)
2.
Jornalismo regional
Em
tempo de globalização, os grandes veículos
de comunicação optam pela uniformização
de seu conteúdo (Ferrara, 1993). É fácil
perceber que nos principais jornais do país, as manchetes
(e as fotos) quase que se repetem.
Porém,
Wilson Souza (1999) ressalta que, como todo indivíduo
deseja ser reconhecido e retratado, acaba buscando um espaço
com o qual se identifique.
Katy
Nassar (1996) explica que o jornalismo regional assume um papel
importante, pois adquire uma atuação marcante
nas localidades em que se origina, possui voz que é ouvida
pelas autoridades e tem penetração e credibilidade
na comunidade. Além disso, trará as notícias
que a grande imprensa diária não tem interesse
em publicar e acaba por promover o desenvolvimento da região
na medida em que mantém a população comprando,
vendendo e trabalhando no local.
Além
disso, o jornalismo regional se mostra fundamental, pois um
povo melhorará suas condições de existência
quando superar suas contradições. Para tanto,
é necessário o acesso a informações
diversificadas, apoiadas nas particularidades locais de uma
diferente cultura global, em que todos serão capazes
de avançar do que de acompanhar, tornando-se necessário
reconhecer a realidade local na era da informação
global. (Ferrara, 1993)
Um
dos desafios do jornalismo regional é possibilitar a
participação da sociedade, suas reivindicações
e denúncias.
Outra
questão que permeia as discussões sobre jornalismo
regional é a utilização de matérias
provenientes de agências de notícias. Marcelo Pimentel
destaca a dependência que os jornais regionais em relação
às agências de notícias: "jornais se
transformam em grandes 'copiões' da grande imprensa do
sudeste" (2000,70).
Segundo
o autor, essa prática resulta em um "efeito "Frankenstein"
justamente pelo descompasso da linguagem dos textos de agências
e da imprensa regional.O autor ressalta que na atualidade os
desafios não são apenas tecnológicos, mas
editoriais:
"Cada
vez mais os leitores estarão cobrando jornais com visão
mais localizada, mas nem por isso significa o abandono da
cobertura nacional e internacional, que deverá ser
fortalecida, até para que se tenha um diferencial de
mercado, concorrendo assim, nas suas áreas de abrangência,
com os ditos nacionais (Pimentel, 2000, 44)"
Entretanto,
Marques de Melo (1997) afirma que a disseminação
dos jornais regionais esbarra muitas vezes nos veículos
da grande imprensa. Na mesma linha, Wilson Souza (1999) acredita
que a proximidade a grandes cidades intimida o desenvolvimento
regional de municípios vizinhos, como é o caso
do ABC paulista, região metropolitana da Grande São
Paulo. O autor enfatiza que a escassez de veículos de
comunicação de massa entra em contradição
com a realidade do Grande ABC, (1) uma região
conhecida mundialmente e com forte presença política,
econômica e social no cenário brasileiro. Souza
sugere que a existência de jornais de abrangência
nacional, como a Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, na
cidade de São Paulo, talvez explique a circulação
de um único jornal regional na região do ABC,
o Diário do Grande ABC.
Atualmente,
o jornalismo regional constitui uma importante tendência
dos meios de comunicação e representa um mercado
promissor. O desafio dessa mídia é constituir
um espaço público democrático, que desperte
cidadania e participação da sociedade.
3.
O Diário do Grande ABC
O
Diário do Grande ABC surge a partir de
um empreendimento em certa medida aventureiro. O News Seller,
antecessor do Diário foi distribuído gratuitamente
desde o seu lançamento, em 11 de maio de 1958, seus fundadores
(Edson Danillo Dotto, Maury de Campos Dotto, Fausto Polesi e
Ângelo Puga) tomaram como base o Shopping News, veículo
bem sucedido comercialmente, mas o jornal já implantava
um sistema de assinatura em 1961.
O
News Sellers foi introduzido na região do ABC como uma
proposta comercial, servindo como suporte para anunciantes.
Seus idealizadores apostaram na potencialidade industrial e
comercial local, que começava a despontar na produção
de automóveis e logo ia se consolidar como berço
da indústria automobilística no Brasil.
Apesar
do formato simples e de conter apenas oito páginas, Araújo
(1997) afirma que o jornal News Seller soube aproveitar o ambiente
favorável da região, que contemplava crescimento
econômico, mas apresentava carência de um veículo
de comunicação para criar uma possibilidade de
negócios. Por essa razão, o jornal passa a assimilar
características regionais da cidade de Santo André
e do Grande ABC.
O
ex-diretor do Diário, Alexandre Polesi explica
que as mudanças mais significativas do jornal tiveram
início em 1968, quando o News Seller trocou de nome para
Diário do Grande ABC. O autor acredita
que, nesse momento, os seus fundadores começaram a perceber
que o projeto não era mais uma aventura. Além
disso, Araújo destaca que já havia uma certa "pressão"
(ou expectativa) para que o veículo assumisse essa identidade
regional.
William
de Araújo (1997) coloca que a característica regional
só foi assimilada a partir do momento em que seus idealizadores
perceberam que a região e seus moradores viam o jornal
como um referencial. Nesse sentido, o autor afirma que foi a
prática diária e a observação do
público que estabeleceram este parâmetro de adequação
do jornal à comunidade. Enfatiza também que, na
medida em que a empresa se estrutura e se alicerça, seus
valores e mesmo as relações implícitas
no trabalho jornalístico, assumem novos compromissos,
que aos poucos distanciam-se da esfera individual rumo à
esfera pública.
José
Marques de Melo e Adolpho Queiroz (1998) destacam que atualmente
o Diário do Grande ABC se firma como o
veículo local e Diário mais importante
da região e um dos jornais mais expressivos do Estado.
Afirmam
que o Diário é o jornal que, proporcionalmente
ao total de páginas, tem hoje o maior espaço publicitário
na imprensa brasileira. Com mais de 350 mil leitores, conquistou
a posição de um dos maiores jornais regionais
do Brasil, juntamente com os veículos regionais A Tribuna
(Santos) e Correio Popular (Campinas).
Hoje,
o Diário do Grande ABC não possui
concorrentes diretos, a não ser os de grande porte, como
a Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo.
Araújo
(1997) sugere que uma explicação razoável
está no fato da cidade ter sido praticamente incorporada
ao perímetro urbano da capital paulistana. Como conseqüência,
os parâmetros referenciais de qualidade e de concorrência
naturalmente passam a ser a grande imprensa.
Mesmo
assim, as matérias produzidas pelo Diário
ainda apresentam um grande diferencial. O jornal oferece a seus
leitores uma discussão sobre questões regionais,
o bairro, a rua, a praça, o hospital, a creche, entre
outros, algo que não é encontrado em veículos
da grande imprensa.
Segundo
Wilson Moço, o Diário assume uma função
de interlocutor da população. "As pessoas
ligam, cobram, reclamam", afirma o jornalista.
Moço
destaca que este canal do veículo com a população
ficou mais fortificado após a implantação
do Conselho do Leitor em 2002. A iniciativa, que tomou como
base o exemplo do jornal Zero Hora, consiste na realização
de reuniões quinzenais entre leitores e membros da redação
do Diário para discutir as matérias publicadas
no jornal. O Diário do Grande ABC é
o terceiro veículo de comunicação do país
a adotar esse programa.
O
Diário depende quase que exclusivamente das matérias
de agências de notícias, como a Agência Estado
e a Agência do Jornal do Brasil, na cobertura dos fatos
nacionais. Quando ocorre algum evento da política nacional
na região do Grande ABC, o jornal desloca sua equipe
para a cobertura do assunto.
Em
2003, a comemoração dos 45 anos do Diário
não foi motivo para muitos festejos. A situação
econômica da empresa continuava precária. Para
se ter uma idéia, alguns distribuidores do Diário
atrasaram ou suspenderam, no mês de julho, a entrega do
jornal em algumas bancas por atraso de pagamento.
4.
O estudo
Para
este estudo sobre o Diário do Grande ABC,
selecionou-se uma amostra entre os meses de junho e novembro
dos anos de 2002 e 2003.
Deste
universo, estabeleceu-se a segunda semana (de domingo a domingo)
de cada mês para a coleta do material. Assim, catalogaram-se
oito exemplares por mês, totalizando 48 edições
para cada ano da amostra.
Foram
analisados a capa e os cadernos de Política, Economia
e Cidades.
Ressalta-se
que para o estudo de 2002 foram selecionadas apenas matérias
produzidas pela própria redação, excluindo
o material proveniente de agências de notícias,
já em 2003, incluímos o material das Agências
de notícias, pois o veículo pouco produziu acerca
da política nacional. No presente artigo analisaremos
apenas as manchetes da capa e o material apresentado no caderno
de Política.
Abordaremos
apenas em linhas gerais a cobertura política do jornal
nas eleições de 2002 para a seguir aprofundarmos
a cobertura do veículo do primeiro ano do governo Lula.
5.
As eleições de 2002
As eleições de 2002 configuraram um momento singular
para a história brasileira: um candidato da oposição
com um projeto alternativo liderou as intenções
de voto em um contexto marcado por uma instabilidade econômica.
Apesar de estar à frente em toda corrida eleitoral, a
candidatura petista foi associada a medo, terrorismo e revolução.
Alardeava-se
que o país poderia se transformar em uma nova Argentina,
Colômbia ou Cuba. O preconceito também era estimulado
por organismos internacionais. Investidores estrangeiros, como
o americano George Soros, decretavam o caos no Brasil se Lula
fosse eleito. Temendo um calote no pagamento da dívida
externa, os especuladores ameaçavam que a eleição
de Lula ocasionaria o aumento do risco-Brasil e a desvalorização
do Real, diminuindo os investimentos no país.
O
candidato situacionista era José Serra, Ministro da Saúde
de durante o governo do PSDB. Ao longo de 2002, a disputa se
concentrou em torno à segunda vaga para o segundo turno.
Serra superou os adversários, no entanto, Lula venceu
com ampla maioria no segundo turno.
Um
dos grandes desafios dos jornais regionais é fazer uma
ampla cobertura no período de eleições,
principalmente se o pleito for presidencial. Isso porque, como
a mídia regional não tem estrutura para manter
correspondentes nas diversas partes do Brasil, acaba reproduzindo
em suas páginas matérias provenientes de agências
de notícias. Entretanto, no caso das últimas eleições,
o Diário optou por realizar uma cobertura que
contivesse matérias de agências e também
da própria redação do jornal. Dessa forma,
produziu aproximadamente 40% dos textos referentes ao pleito
eleitoral.
Na
primeira página do Diário, as eleições
dividiram espaço com outros temas, como Copa do Mundo,
discurso econômico, denúncias e questões
regionais, nacionais e internacionais. Em linhas gerais, pode-se
dizer que, no Diário, fica evidente a primazia
das questões relativas ao pleito eleitoral, tomadas conjuntamente
as categorias presidenciáveis, candidatos ao governo
de São Paulo, partidos, pesquisas de intenção
de voto e denúncias. Não muito distante aparecem
os assuntos regionais, referentes às sete cidades do
Grande ABC. Já o discurso econômico merece menos
destaque.
Cabe
ressaltar que as declarações ou ações
do então presidente Fernando Henrique Cardoso recebem
escassa divulgação. (vide Tabela 1) A seguir apresentaremos
as representações veiculadas pelo jornal dos dois
candidatos que passaram para o segundo turno e as questões
econômicas que ocuparam grande parte da agenda política
em 2002.
Tabela
1:
Freqüência dos temas presentes
nas 1ª páginas do Diário em 2002
Temas
|
Ocorrências
|
Questões
regionais
|
125
|
Presidenciáveis
|
96
|
Discurso
econômico
|
82
|
Assuntos
internacionais
|
28
|
Copa
do Mundo
|
28
|
Candidatos
ao Gov. do Estado de SP
|
20
|
Partidos
|
15
|
Pesquisas
de intenção de voto
|
14
|
Denúncias
- ABC
|
11
|
FHC |
8
|
Total
|
427
|
O
primeiro turno das eleições presidenciais foi
marcado pela liderança de Lula nas pesquisas, pelo sobe-e-desce
dos candidatos que disputavam a segunda vaga na corrida eleitoral
e pelas turbulências da economia brasileira, refletidas
na alta do dólar e do risco-Brasil.
No
Diário do Grande ABC, a cobertura do pleito
presidencial foi extensa, mas não democrática.
Somente os quatro presidenciáveis mais bem cotados nas
pesquisas, Luís Inácio Lula da Silva (PT), José
Serra (PSDB), Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS), foram
mencionados durante o período estudado. Os outros candidatos,
José Maria de Almeida (PSTU) e Rui Pimenta (PCO), sequer
foram citados pelo jornal.
O
candidato mais destacado no Diário do Grande
ABC é Lula, seguido por Ciro e Serra, que tiveram
freqüências praticamente empatadas no jornal. Já
Garotinho esteve bem distante dos demais adversários
no Diário. (vide Tabela 2)
Tabela
2:
Freqüência dos presidenciáveis
no primeiro turno
Mês |
Lula
|
Ciro
|
Serra
|
Garotinho
|
Junho |
1
|
2
|
-
|
1
|
Julho |
7
|
4
|
5
|
2
|
Agosto |
9
|
10
|
8
|
3
|
Setembro |
9
|
4
|
5
|
3
|
Outubro |
7
|
5
|
6
|
6
|
Total
|
33
|
25
|
24
|
15
|
Um
item central na pauta do Diário, durante o primeiro
turno, é a campanha dos presidenciáveis. As agendas
dos candidatos, as propostas de governo, suas alianças,
bem como suas críticas, ou frases de efeito renderam
muitas matérias:
"Lula
encontra pecuaristas; Ciro se reúne com ACM" (09.09)
"Serra
classificou de 'inerte' a política de segurança
do PT no Rio" (14.09)
"Garotinho
promete elevar salário mínimo a R$ 280" (10.07)
Em
linhas gerais, pode-se dizer que o veículo mostra Lula
como um presidenciável cauteloso, negociador, amadurecido,
simpático e preocupado em manter a política econômica
estabelecida por FHC. Já Serra é representado
como um candidato mentiroso, agressivo, irônico, contraditório,
com experiência administrativa duvidosa e com fraca base
de sustentação partidária. Garotinho é
representado como um candidato que está sempre reclamando,
inclusive da imprensa. Ciro é mostrado como crítico,
desconfiado, experiente e preocupado em honrar os compromissos
do mercado, mas, no final da disputa, é apresentado como
um candidato derrotado.
O
Diário também destaca a atuação
dos candidatos na região. Lula é veiculado como
um presidenciável presente no Grande ABC. Já os
demais são criticados pelo jornal por não demonstraram
muito "interesse" pela região. "Presidenciáveis
esquecem a região - Com exceção de Lula,
candidatos sequer visitaram o Grande ABC" (08.09).
5.1.
Lula
O
Diário destaca ações de um presidenciável
honesto e ético, que não tolerará a corrupção.
("Lula defende punição para os responsáveis
por corrupção" - 12.07). Mostra-se que o
candidato está procurando ampliar sua base de representação
("Lula promete ajudar usineiros do NE e reativar Proálcool"
- 12.09). Neste caso, o veículo mostra um presidenciável
interessado em representar e defender todos os setores da sociedade,
inclusive a elite que sempre resistiu em apoiá-lo.
O
Diário destaca as propostas de governo
de Lula ligadas à área econômica. Este assunto
influenciou muito a cobertura da imprensa, principalmente por
Lula ser considerado, em princípio, um candidato 'não
apropriado' e 'pouco confiável' em relação
à conjuntura do mercado. Contudo, o Diário
mostra um presidenciável preocupado em discutir a questão
econômica:
"Só
'Mandrake' baixa juros, diz Lula - Presidenciável defende,
no entanto, medida para impulsionar economia" (13.08)
O
jornal também apresenta o vice-candidato do PT à
presidência, José Alencar, como um interlocutor
legítimo diante de empresário desconfiados.
"Em
almoço com empresários, vice de Lula descarta
calote - Vice diz que empresários não precisam
temer Lula" (15.08).
"Alencar
traduz lema do PT: crescimento econômico do país"
(18.08).
O
jornal veicula um presidenciável cauteloso, que prefere
não fazer polarização, e com base de apoio
político. Nesse sentido, veicula-se um Lula equilibrado,
ao contrário de seus adversários, que preferiram
trocar acusações e acabaram se enfraquecendo.
"Lula evita polarização" (11.08), "Lula
aposta na força da militância" (06.10).
Apesar
de Lula ter recebido ataques dos adversários, pelo fato
de sua inexperiência administrativa, sua escassa formação
intelectual, sua mudança de visual e discurso e seus
acordos com partidos conservadores, não há espaço
para críticas ao presidenciável no Diário.
Ao
menos nas semanas da amostra, o jornal parece ignorar esses
fatos e debates.
Ao
contrário, o veículo mostra um candidato que recebe
elogio até de militares ("Militares elogiam Lula
em encontro" - 14.09). Dessa maneira, é possível
fazer uma leitura de um candidato simpático até
para os setores mais conservadores da sociedade. Além
disso, o jornal aponta para um candidato que já conquistou
a confiança do eleitor: "Eleitor considera Lula
o mais sincero" (06.10).
Em
relação ao Grande ABC, o veículo mostra
Lula muito presente na região e o PT atuante na localidade:
"Paço
de Santo André vira palco de primeiro showmício
petista" (13.07).
"Lula
inaugura comitê em S. Bernardo" (14.07).
O
Diário busca mostrar para o leitor qual é
o candidato mais presente e preocupado com a região.
Como o vínculo entre o candidato Lula e a região
é evidente, já que o Grande ABC, sede de várias
indústrias automobilísticas e berço do
sindicalismo e do PT, projetou a carreira política de
Lula, parece "natural" o jornal destacar o candidato
petista em sua cobertura.
5.2.
Serra
O
Diário do Grande ABC não teve nenhuma
empatia com Serra, suas representações no veículo
são, via de regra, negativas. Mostra-se um candidato,
cuja atuação como Ministro da Saúde é
questionada: "Serra vai ao 'JN' (Jornal Nacional) e admite
erros no combate à dengue" (11.07). Dessa forma,
evidencia-se a ineficiência do candidato na administração
da pasta de Saúde durante o governo de FHC e também
uma contradição, já que Serra alardeava
em suas campanhas o fato de ter recebido reconhecimento internacional
como Ministro da Saúde.
O
contra-ataque de Serra à crítica feita no noticiário
da Rede Globo e veiculado pelo Diário mostra um
presidenciável com posicionamento indefinido e dúbio,
pois se apresenta como um candidato governista, mas destaca
que fará um governo diferente: "Em entrevista, candidato
diz que seu governo será diferente" (11.07).
O
Diário mostra que nem os eleitores confiam em
Serra. Numa pesquisa durante o primeiro turno da votação,
o jornal revela que Serra é considerado o presidenciável
mais mentiroso: "Serra é considerado o mais mentiroso"
(06.10).
Um
dado instigante é que o Diário não
apresenta nenhuma proposta de governo de Serra no primeiro turno.
Ressalta-se que esta pauta foi pouco recorrente no jornal, entretanto
os demais presidenciáveis tiveram suas propostas divulgadas
durante o período analisado.
5.3.
Discurso econômico nas eleições 2002
As
eleições de 2002 tornam evidente a vulnerabilidade
econômica do Brasil. A incerteza política do momento
eleitoral foi suficiente para desestabilizar a economia brasileira.
Com investidores desconfiados e temerosos a mudanças,
o país enfrentava dificuldades para obter crédito
internacional. Sem investimentos, o Brasil ficou suscetível
a crises econômicas que ocasionavam a disparada do dólar,
a alta da taxa que mede o risco de investimento no Brasil e
a volta da inflação.
As
incertezas do mercado simbolizavam uma reação
à liderança de Lula nas pesquisas de intenção
de voto. Os especuladores temiam a vitória de uma candidatura
da oposição baseada em um projeto alternativo.
Na ótica do mercado, Lula representava uma ameaça
à economia brasileira.
Assim,
por resistirem a mudanças, os investidores apostavam
na candidatura de José Serra, que representava a estabilidade
e a continuidade das políticas governamentais.
A
empatia dos especuladores com a campanha tucana foi uma arma
constante do presidenciável José Serra nas eleições.
O Diário mostra que a subida de Serra nas pesquisas
de intenção de voto agrada o mercado, a ponto
de conter a moeda americana: "Rumor sobre a subida de tucano
faz dólar cair a R$ 3,12". (17/08)
Durante
a campanha eleitoral, percebeu-se que nem candidaturas alternativas
poderiam modificar as políticas econômicas estabelecidas
pelo Governo FHC. O presidente chegou até a se reunir
com os presidenciáveis ("Encontro de presidenciáveis
com FHC no 2º turno" - 14/08) para pressioná-los
a dar continuidade à política econômica.
Em vários momentos, Lula comprometeu-se com FHC e com
os eleitores a honrar os compromissos com o mercado.
Os
indicadores econômicos veiculados pelo Diário
do Grande ABC mostram a instabilidade do setor, a elevação
do dólar e da inflação: "Dólar
dispara e fecha em R$ 2,712, Bovespa cai" (12/06), "Inflação
sobe e compromete meta de governo para o ano" (11/07).
O
jornal reproduz o discurso da oficialidade, concedendo espaço
às falas do Ministro da Fazenda Pedro Malan, do presidente
do Banco Central Armínio Fraga e do presidente Fernando
Henrique Cardoso. Os atores são representados como atuantes
na "missão" de controlar a crise, confiantes
em relação às medidas adotadas e eficientes,
já que conseguem acalmar o mercado e viabilizar investimentos
no país: "Crédito ao Brasil pode ser retomado
- Em reunião com os dez maiores bancos centrais do mundo,
Fraga tenta acalmar mercados" (10/09).
Entretanto,
o Diário do Grande ABC não poupa
críticas à equipe econômica.
Apresenta
que, apesar do esforço do governo, algumas iniciativas
econômicas foram mal-sucedidas para conter a subida do
dólar ("Medidas governo não seguram alta
do dólar" - 16/08). O jornal também revela
a difícil realidade cotidiana vivenciada pelos brasileiros,
como a diminuição da renda e a sua dificuldade
para pagar suas contas: "Trabalhador perdeu 10% da renda
em cinco anos - IBGE aponta que 13,1% das famílias ganham
até 1 salário mínimo" (13/09), "Aposentados
fazem mágica para comprar medicamentos" (16/11).
A
vitória de Lula nas eleições presidenciais
mostrou que o tom conciliatório da campanha seria seguido
no próximo governo. A afinidade entre FHC e Lula na área
econômica é destacada no Diário
do Grande ABC: "FHC e Lula afinam discurso sobre o
FMI - Missão desembarca hoje para encontro com futuro
governo" (11/11)
Os
desafios do Governo Lula apontam para a retomada do crescimento
econômico, a diminuição das injustiças
sociais e a continuidade das conquistas do Governo FHC. Neste
momento, o jornal apresenta alguns entraves que serão
enfrentados por Lula, como a negociação com o
FMI, a contenção da inflação e os
problemas sociais: "FMI vem ao país, mas ajuste
fiscal não muda - Tema de flexibilização
das contas ficará para o governo de Lula" (12/11),
"Taxa de inflação é a maior do ano"
(12/11).
6.
Lula e o PT na presidência
A
vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição
presidencial de 2002 representa um marco na história
brasileira. Com uma votação recorde, mais de 52
milhões de votos (61,3% dos votos válidos), chega
ao poder o primeiro presidente de origem popular. Após
a derrota em três eleições presidenciais
consecutivas, o ex-torneiro mecânico, muitas vezes humilhado
por não portar um diploma acadêmico e não
ter experiência administrativa, conquista o mais alto
posto da hierarquia do país.
Para
conseguir esta vitória, Lula mudou de visual e fez propostas
menos radicais e o PT fez uma aliança com o Partido Liberal
durante as eleições, colocando o empresário
José Alencar como vice-presidente.
O
presidente Lula inicia seu governo sob uma perspectiva histórica
no Brasil. Nunca um governo foi aclamado com tanta expectativa
positiva e esperança. Em uma verdadeira festa nacional,
Lula foi empossado em clima de "lua-de-mel" com a
opinião pública e com a imprensa.
No
primeiro ano do governo Lula, o Diário do Grande
ABC prioriza as questões políticas envolvendo
a nova administração federal nas manchetes de
capa. O contexto político brasileiro explica esta opção.
Não
se sabia ao certo se as políticas do governo Lula seriam
conservadoras ou se seriam radicais, rompendo compromissos assumidos
com os agentes internacionais. Os assuntos econômicos
também renderam muitas manchetes no jornal. Havia o interesse
em saber quais seriam as ações econômicas
implementadas.
Com
a vitória de Lula no pleito, a discussão era:
até que ponto o Partido dos Trabalhadores na presidência
poderia implementar medidas que desestruturassem a economia
brasileira. Questionava-se se o novo governo conseguiria controlar
a economia, retomar o crescimento econômico e evitar a
subida do dólar e da inflação.
Para
o Grande ABC, a vitória do PT foi um momento importante,
pois Lula construiu sua carreira política na localidade
e residia na região. Após a vitória, a
polêmica era saber se o novo governante defenderia os
interesses da região no Planalto. São Bernardo
seria a residência oficial do presidente nos finais de
semana e cargos importantes seriam ocupados por políticos
provenientes da região.
No
primeiro ano do governo do PT, as críticas veiculadas
pelo Diário referem-se aos projetos do governo.
O andamento do Fome Zero e das reformas Tributária e
da Previdência (analisadas mais adiante) são questionados
pelo veículo.
O
programa Fome Zero, anunciado como prioridade de governo no
primeiro discurso do presidente Lula, teria como objetivo combater
a fome e a pobreza.
Contudo,
a região vivenciava um problema comum a todo o país:
o desemprego e a queda de poder aquisitivo. A execução
do programa passa a ser discutido pelo jornal. O Grande ABC
necessita desses recursos, no entanto, sua implementação
ficou aquém das necessidades.
O
Diário mostra as contradições: "Caminhão
doado ainda está parado" (08.06),
"164 mil passam fome no Grande ABC". (09.06)
Na
realidade, essa paralisação do Fome Zero não
é restrita apenas ao Grande ABC, mas é reflexo
de um problema nacional. O governo recebeu críticas de
vários setores no país. No entanto, o Grande ABC
é referência para Lula no Fome Zero. Dois dos principais
executivos encarregados do Banco de Alimentos de Santo André
foram convidados para coordenar as ações específicas
da área em Brasília. "Apesar da falha, região
inspira governo". (08.06)
6.1.
Na defesa de mais verbas à região
Os
municípios buscam trabalhar em conjunto para lutar pelas
verbas federais. O jornal mostra os prefeitos protagonizando
a defesa da região, ao cobrar recursos do Planalto: "Estados
e prefeitos petistas do ABC se unem por mais verbas". (10.08)
Em
ocasião da visita do ministro da Casa Civil, José
Dirceu, ao Grande ABC, o Diário faz uma longa
cobertura. As demandas dos prefeitos são veiculadas com
destaque: "Em visita hoje à região, José
Dirceu enfrentará cobranças dos prefeitos".
(09.06)
Em
relação às reivindicações
regionais, o Diário ressalta verbas para habitação
- "Secretários vão a Brasília pedir
áreas para construção de casas" (08.10),
educação - "Movimento vai cobrar universidade
federal" (09.11), saúde - "Prefeitos da região
cobram mais recursos do ministério da Saúde"
(15.08) e participação nas decisões do
governo, "Fórum quer integração com
o Conselho do 'Fome Zero'". (08.10)
Em
linhas gerais, pode-se considerar que o Diário
aponta que os municípios estão cumprindo suas
obrigações e chegam até a se responsabilizarem
por ações que deveriam ser implementadas pelo
governo: "Cidades investem mais que o governo em obras
federais". (05.10)
O
Diário chama a atenção para as conseqüências
que a falta de repasse de verba provoca na região: "Ajuste
congela obras no Grande ABC". (07.09), "Diadema espera
liberação para habitacional". (07.09)
Quando
o Grande ABC tem suas necessidades atendidas, o jornal não
deixa de noticiar: "Convênios vão garantir
1,1 mil moradias a Mauá". (16.11)
Apesar
de não atender a todas as reivindicações
da região - "Lula atende duas de oito reivindicações"
(07.07) e "José Dirceu traz apenas boa vontade",
o governo Lula dá sinais de preocupação
com a localidade. Diversas ações mostram que o
governo está presente no Grande ABC, com o objetivo de
manter um diálogo com os atores da região e também
promover a participação da localidade em um plano
nacional. Há a preocupação do governo federal
em manter um canal aberto com a região:
"Relator
da reforma estará na região". (11.07)
"Ministro
da Cultura vem ao ABC debater propostas para jovens". (14.11)
Quando
veicula críticas ao Planalto, a redação
do Diário não ataca Lula, mas seu governo
pela lentidão em concretizar alguns projetos. Em linhas
gerais, pode se considerar que Lula é de certa forma
preservado no jornal. Durante o período da amostra, as
matérias produzidas pela equipe do Diário
do Grande ABC não apontam contradições
entre as propostas de campanha de Lula e suas ações
como presidente. Também não houve tentativas de
desqualificá-los por algumas de suas falas polêmicas
ou gafes que tenha cometido.
6.2.
Política nacional
Nesta parte do caderno o Diário do Grande ABC
faz uso praticamente dos serviços de agências de
notícias. 524 matérias (92,1%) são provenientes
de agências de notícias, e apenas 46 (7,9%), da
própria redação do jornal.
Observa-se
que a grande maioria desses textos (98,47%) é proveniente
da Agência Estado (AE).
Tabela
3:
Freqüência dos atores na cobertura nacional do Caderno
de Política
Temas
|
Ocorrências
|
Lula
|
60
|
José
Dirceu
|
22
|
Antonio
Palocci
|
14
|
Outros
ministros
|
31
|
PT
|
21
|
Outros
partidos
|
16
|
PSDB
|
7
|
"Radicais"
do PT
|
4
|
Total
|
175
|
Entre
os atores presentes na cobertura nacional do Caderno de Política,
Lula foi o ator mais mencionado. Suas ações, opiniões
e agenda de trabalho foram constantemente divulgadas. As manchetes
sobre os ministros são freqüentes.
Entretanto,
os destaques ficam com o Chefe da Casa Civil, José Dirceu,
e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Isso porque tanto
Dirceu quanto Palocci detinham cargos estratégicos na
Presidência.
O
Partido dos Trabalhadores recebe muitas menções.
Como o PT é a base partidária do presidente da
República, acaba ocupando as manchetes do jornal. No
entanto, o Diário também não deixa
de destacar outros partidos como o PSDB.
Tabela
4:
Freqüência dos assuntos no Caderno de Política
Temas
|
Ocorrências
|
Reformas
|
64
|
Movimentos
Sociais (MST e MTST)
|
22
|
Oposição
interna
|
14
|
Fome
Zero
|
12
|
Política
internacional
|
11
|
Outras
ações
|
7
|
Oposição
|
6
|
Denúncias
|
2
|
Críticas
|
2
|
Total
|
139
|
Em
relação às freqüências dos assuntos
na cobertura nacional do Caderno de Política, observa-se
que as ações do governo são muito abordadas.
O tema reformas é o mais citado. Em seguida, estão
o Programa "Fome Zero" e as relações
internacionais do Planalto.
A
oposição ao governo -vinda de frações
do próprio PT - é um assunto freqüente na
cobertura da política nacional do Diário
do Grande ABC.
Ressalta-se
que a dissidência interna do PT, cujos membros foram apelidados
de "radicais", ocupa muitas páginas no jornal.
A oposição de outros partidos também é
mencionada, mas suas críticas não ganham tanto
espaço quanto as dos dissidentes do PT.
Os
movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra
(MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), têm
visibilidade no veículo.
As
notícias relacionadas ao MST são basicamente de
agências de notícias, e as matérias sobre
o MTST recebem cobertura do jornal, porque a região abrigou
um conflito dos sem-teto com a polícia pela desapropriação
de um terreno pertencente a empresa Volkswagen, sediada em São
Bernardo do Campo.
6.2.1.Lula
Em
junho de 2003, seis meses após a posse do novo governo,
o Diário mostra que a popularidade de Lula continua
alta (42%, segundo pesquisa Datafolha), a ponto de seus fãs
driblarem a segurança presidencial para estarem perto
dele.
"Vendedor
invade Palácio da Alvorada para ver presidente".
(12.06) (AE)
O
jornal reproduz matérias de agências de notícias
na linha do espetáculo, noticiando a pelada de domingo
ou a reunião com um grupo musical. Para o jornal, isso
é notícia. Na imprensa, o espetáculo vende
e o leitor tem curiosidade de saber o que faz seu presidente
popular.
"Lula
atua como juiz em pelada dominical no Torto". (07.07) (AE)
"Construção
tira Lula de jogo, mas seu time vence por 5 a 3". (10.08)
(Das agências)
"Lula
banca o guitarrista ao receber Capital Inicial". (11.09)
(AE)
De
maneira geral, as ações destacadas de Lula no
jornal referem-se a atividades de esporte realizadas nos finais
de semana, a popularidade alcançada depois de meses no
governo, a curiosidade dos brasileiros pelo governante que veio
do povão, aos discursos recheados de sabedoria popular,
subjetividade e simbolismos, que acabam revelando muitas vezes
idéias machistas e preconceituosas. O Diário
reproduz os conceitos de Lula que utiliza metáforas e
idéias provenientes do imaginário popular ou senso
comum: "Bancos empurram pobres para agiotas, afirma Lula
- Presidente acusa instituições de só darem
atenção ao 'filé mignon'". (10.09)
(AE)
Lula
também é apresentado como um presidente que discursa
de forma subjetiva, entre emoção e razão.
Não deixa de ser uma crítica, por parte do jornal,
estar reproduzindo as falas de Lula carregadas de sentimentalismo:
"Lula diz que governar não é tão maravilhoso
quanto ele pensava". (17.08) (AE), "'Reformas são
ferramentas de solidariedade', diz Lula - Presidente faz discurso
poético durante solenidade do 'Fome Zero'". (10.10)(AE)
Esses
discursos improvisados do presidente causam problemas ao governo.
O jornal chama a atenção para o fato de o presidente
teimar em não aceitar que cometeu uma gafe durante visita
à África: "Falei apenas o óbvio, justifica
Lula - Presidente é criticado ao dizer que não
esperava encontrar na África cidade tão 'limpa
e bonita'". (09.11) (AE)
Em
se tratando de política internacional, o Diário
mostra uma agenda presidencial repleta de compromissos. As viagens
de Lula ao exterior são amplamente divulgadas, bem como
suas conquistas internacionais:
"Lula
viajará para o Oriente Médio". (09.06)
"Lula
faz acordo para legalizar todos os brasileiros em Portugal -
Em discurso para 300 empresários em Lisboa, presidente
rebate críticas de FHC". (AE)
"Londres
aguarda com expectativa aula do presidente". (12.07) (AE)
6.2.2.
Reformas
Em
relação às reformas, o Diário
também não poupa o governo. A polêmica das
reformas da Previdência e Tributária, que beneficia
alguns setores da sociedade, ocupa as manchetes de várias
matérias do jornal.
No
caso da reforma da Previdência, está em jogo a
aposentadoria de funcionários e pensionistas do setor
público. Para futuros servidores, acaba a aposentadoria
integral, igual aos últimos salários. A reforma
da Previdência gerou muita polêmica quando foi anunciada,
uma vez que mudaria as regras de aposentadoria dos servidores
públicos, aliados históricos do PT. O Diário
do Grande ABC destaca o descontentamento dos servidores
com os termos da reforma, "Funcionários públicos
do país protestam para mudar reforma - Servidores prometem
ocupar a Esplanada dos Ministérios para exigir negociações"
(10.06) (AE), e anuncia a primeira greve que o governo enfrenta:
"Começa hoje greve dos servidores - Governo Lula
enfrenta primeira paralisação, mas dá sinal
de que poderá ceder a pressões". (08.07)
(AE)
O
Diário do Grande ABC observa que as mudanças
na proposta original se deram basicamente para angariar o apóio
dos partidos, tal como o PMDB, não cedendo a pressões
de seus históricos parceiros como os servidores públicos:
"Governo muda Previdenciária apenas para agradar
ao PMDB". (09.10) (AE)
Na
reforma Tributária, a questão é adequar
a arrecadação nacional, a partir das perdas originais
suportadas pela União em favor dos Estados e municípios.
O jornal dá voz às reivindicações
das prefeituras e sindicatos em relação às
reformas. Os prefeitos da região querem alterar proposta
contida na reforma tributária, que provocaria perda nos
repasses do ICMS (Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços). Os municípios teriam
queda de 25% a 30% nas receitas. O veículo mostra uma
região ativa no debate deste assunto. A localidade participa
na discussão do projeto: "Prefeitos se mobilizam
para alterar a reforma tributária". (08.07), "Sindicato
tenta mobilizar vários servidores para greve de amanhã".
(10.06)
6.2.3.
Oposição no PT: os "radicais"
Quando
o assunto é oposição, o Diário
do Grande ABC destaca as dissidências internas do
PT. Um setor da ala esquerda dentro do PT não mede esforço
para denunciar as ações governistas que ferem
princípios históricos do partido, serão
vistos como "radicais".
As
críticas dos "radicais" ao governo ganham considerável
espaço: "Heloísa diz que projeto é
uma 'farsa'". (11.06) (AE), "Petistas moderados dizem
que partido está esclerosado". (09.09) (AE) A senadora
refere-se à reforma da Previdência proposta pelo
governo do presidente Lula. Segundo Heloísa, a reforma
é uma farsa que não tem compromisso "nem
com os pobres nem com os oprimidos e nem com a concepção
pragmática de aparelho de Estado do PT".
O
jornal mostra que o novo governo está irredutível
com a crítica interna, preferindo afastar as dissidências
do partido: "Genoíno pede a radicais que se desliguem
do PT". (13.08) (AE), "Gabeira sai do PT e Genoíno
pedirá mudança ao governo". (08.10) (AE)
A
saída do deputado Fernando Gabeira (PT-RJ) do partido,
um personagem histórico na esquerda, gerou muita comoção.
No entanto, o jornal não questiona o posicionamento pouco
democrático do governo em afastar membros divergentes
de seu quadro no partido.
O
Diário do Grande ABC também abre
espaço para algumas críticas de acadêmicos
- "Intelectuais ligados ao partido lideram protestos na
USP" (1106) (AE), economistas - "Economistas acusam
PT de ser neoliberal" (15.06) (AE), servidores públicos
"Servidores queimam foto de Lula" (15.08) (AE).
6.2.4
Movimentos sociais
A
partir das manchetes do Diário do Grande ABC,
uma leitura possível sobre os movimentos sociais é
que estes não têm vez no governo Lula. O jornal
veicula os conflitos constantes entre os integrantes do Movimento
dos Sem -Terra (MST) e instituições do Estado,
como a Polícia Federal.
"MST
vai enfrentar a PM e a Justiça - Sem-Terra voltam a local
de zona da mata de Pernambuco, de onde haviam sido despejados".
(07.07)
"MST:
PF não investiga milícias de fazendeiros - Integrantes
do movimento se reúnem com Fontenelles e João
Paulo". (11.07) (AE)
As
manchetes sobre o tema se tornaram freqüentes com a intensificação
do conflito, que culminou com a prisão do líder
do movimento dos Sem -Terra, José Rainha:
"Prefeitos
rejeitam assentamentos". (11.07) (AE)
"Sem
-Terra invadem Incra de MG". (11.07) (AE)
"José
Rainha, líder do MST, é preso". (12.07) (AE)
O
Diário dá voz aos integrantes dos movimentos,
que fazem uma severa crítica em relação
ao novo governo: "'Governo força invasão',
diz líder - Coordenador do MST no Pontal diz que despejos
deixam famílias sem destino". (12.08) (AE)
O
Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto também foi destaque
no Diário do Grande ABC. A ocupação
da área da Volkswagen na região do Grande ABC,
em agosto de 2003, por membros do movimento recebeu ampla cobertura.
Os Sem-Teto foram expulsos do terreno da Volkswagen, após
pedido de reintegração de posse da montadora.
Após esse episódio, os manifestantes foram acampar
na Praça Matriz, localizada em São Bernardo, e
posteriormente numa área da Gaviões da Fiel, sediada
em São Paulo. "Acampados na praça Matriz,
sem-teto procuram novo local - MTST diz ter ônibus para
levar remanescentes da área da Volks mas falta lugar
para onde ir". (10.08)
O
jornal aponta que os movimentos sociais aumentam suas críticas
ao governo. O coordenador nacional do MST, João Paulo
Stédile, ganha espaço quando afirma que as elites
brasileiras transformaram o presidente Lula, cuja origem vinculada
à classe trabalhadora teria sido geneticamente modificada
pelas forças conservadoras no governo federal. "Movimentos
sociais fazem críticas ao governo petista". (11.09)
(AE), "Líder do MST diz que elite fez de luta um
transgênico". (08.10) (AE)
No
entanto, nem as matérias da AE e nem as do Diário
lembram as promessas de reforma agrária durante a campanha
presidencial de Lula.
6.3.
Discurso econômico
Os atores presentes no caderno de Economia do Diário
do Grande ABC são os membros do governo (ministros
e equipe econômica), empresários e economistas.
Estes
atores têm voz no jornal e são destacados como
protagonistas na cena econômica. Em linhas gerais, pouco
aparecem especialistas ou acadêmicos questionando o andamento
das políticas econômicas adotadas pelo novo governo
que tocam a região, pela difícil situação
no que tange à questão do emprego.
Segundo
dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego feita pela Fundação
Seade e o Dieese, divulgados no Diário On Line,
(2) a taxa de desemprego no Grande ABC foi de 21,5%
no mês de novembro (2003). Já a taxa de desemprego
na região metropolitana de São Paulo foi de 19,9%.
A reportagem do Diário On Line ressalta que as
taxas são as mais altas para um mês de novembro
desde o início das séries históricas. No
Grande ABC, o levantamento é feito desde 1999, e, na
região metropolitana, desde 1985. No mesmo mês
de 2002, no primeiro caso, a taxa estava em 19,2% e, no segundo,
em 19%. 2003 apresentou a maior taxa de desemprego médio
em 2003 na Grande São Paulo desde 1985, 20,1%.
As
instituições mais mencionadas nos veículos
são as indústrias, os bancos e os sindicatos.
As indústrias automobilísticas são veiculadas
como protagonistas de uma crise econômica. O Grande ABC
passa por um período difícil: estão sendo
fechados postos de trabalho na região. "Ford paralisa
unidade por uma semana no fim deste mês". (10.06),
"Sindicatos esperam para hoje decisão da Volks -
Entidades de São Bernardo e de Tatuapé querem
que empresa cancele transferência de 4 mil". (11.08)
A
análise do Diário do Grande ABC
revela, principalmente entre os meses de junho e agosto de 2003,
as dificuldades econômicas enfrentadas pelo Brasil. Ressalta-se
que naquele período Lula ainda era alvo da desconfiança
dos organismos internacionais, o que gerava incerteza no mercado.
O jornal veicula matérias que apontam as conseqüências
sociais da política econômica adotada pelo novo
governo. O estabelecimento dos juros altos provoca a estagnação
da economia, a alta da inflação e a queda do poder
de compra dos salários. O Diário mostra
as conseqüências para a população:
falta de dinheiro, diminuição do poder de compra
e desemprego.
"Cheque
sem fundo bate recorde". (13.06) (AE)
"Crise
e facilidade de acesso elevam procura por penhor - Operações
passaram de 6.073 em julho de 2002, para 8.054 no mês
passado". (13.08)
"Para
Fiesp, produção atual inviabiliza aumento de salário
- Diretor da entidade diz que movimento vivido por indústria
é extremamente grave". (16.08) (AE)
No
entanto, o jornal não relaciona essa crise diretamente
ao novo governo.
O
jornal noticia a recuperação da economia no segundo
semestre de 2003. O Diário mostra a diminuição
da inflação, a valorização do Real
e o aumento da confiabilidade do Brasil para os organismos internacionais.
A contenção da inflação estimula
a queda dos juros, restabelecendo o crescimento econômico
e a diminuição do índice de desemprego.
"Inflação:
sem risco de descontrole - Ministro diz que política
econômica do governo venceu, mas mantém cautela
quanto aos juros". (12.06)
"Governo
sinaliza com queda de juros em acordo com o FMI". (09.09)
(AE)
No
fim do ano, o Diário parece saudar a retomada
econômica. O jornal destaca as conseqüências
do crescimento econômico. A retomada da atividade industrial
e o aumento da taxa de empregos são alguns dos aspectos
apontados pelo jornal. "Produção da indústria
cresce 5,7% - Índice de setembro é o maior do
ano para São Paulo; é também a segunda
alta consecutiva". (15.11)
De
maneira geral, observa-se que, durante o período analisado,
o Diário não veicula muitas matérias
direcionadas à economia regional. Quando o jornal destina
espaço à situação econômica
do Grande ABC, aponta as dificuldades enfrentadas na região,
como o desaquecimento industrial e o desemprego.
A
indústria automobilística, responsável
pelo rápido crescimento econômico da região
nos anos 50, viveram, em 2003, uma crise generalizada no Grande
ABC. A guerra fiscal travada entre a região e outras
localidades do país ameaça a transferência
de indústrias sediadas na região para outros Estados.
O Diário destaca esta realidade:
"Montadoras
vivem pior crise, afirma presidente da Volks - Para executivo,
empresa poderá ter de enxugar os custos e não
descarta cortes". (11.07)
Observa-se
que o Diário forma seu noticiário econômico
regional centrado na indústria automobilística.
Considerações Finais
A
eleição presidencial de 2002 é simbólica
não apenas pelo fato de um ex-retirante nordestino ocupar
o cargo de presidente da República, mas porque ocorreu
a partir de um amadurecimento da consciência política
do brasileiro. A opção pela mudança fez
com que mais de 52 milhões de brasileiros depositassem
sua esperança no candidato petista em busca de um país
mais justo.
Os
resultados desta pesquisa mostram que a agenda do Diário
do Grande ABC durante o ano eleitoral foi determinada pelas
questões referentes às eleições.
A disputa eleitoral superou levemente a temática regional.
Um pouco atrás aparece a temática econômica,
esta apontava principalmente para a turbulência econômica
causada pelo momento eleitoral. Este último tema está
presente em menor grau do que em outros jornais Diários
como o Estado de S.Paulo, por exemplo, mas de qualquer forma
vemos uma forte presença do discurso econômico.
Visualizamos
esta temática como uma determinação global
num veículo local. Acreditamos que notícias baseadas
na cotação do dólar ou no índice
do risco país nos permitem esta interpretação.
Constata-se
que o Diário do Grande ABC não foi
imparcial em sua cobertura, já que seus posicionamentos
e preferências eram evidentes durante o pleito. Apesar
do jornal insistir em afirmar que não tem posições
partidárias, assumiu uma posição política
ao defender a eleição de candidatos mais representativos
para o ABC, no caso, Lula e o PT.
Em
2003, Lula assumiu em meio a muitas expectativas positivas quanto
ao seu governo. Num primeiro momento, isso facilitou seu trabalho,
já que conseguiu propor reformas. Suas primeiras ações
causaram perplexidade, como o aumento da taxa de juros e a manutenção
do superávit primário, no momento atual, após
algumas denúncias como o pagamento de deputados, vemos
a frustração disseminar-se dentro e fora do PT.
O
primeiro ano do governo Lula revela muitas contradições
com a campanha eleitoral do então candidato petista e
com os discursos do presidente durante a posse: inaugurar um
novo governo preocupado com as questões sociais.
O
que foi visto é a prioridade do novo governo para as
ações econômicas. Lula manteve a estabilidade
econômica, mas também a estagnação
econômica, a dependência do país ao capital
estrangeiro e o aumento do desemprego. A questão social
ficou para segundo plano. O carro-chefe da campanha eleitoral
de Lula, o Programa Fome Zero, mostrou que até as principais
estratégias do governo não estavam tão
definidas. O programa foi criticado pelo fato de ser assistencialista
e pela lentidão em ser implementado. Em 2004, o Fome
Zero sumiu da agenda.
As
reformas da Previdência e Tributária causaram muita
polêmica e acabaram sendo reformuladas. A reforma agrária,
historicamente prometida pelo PT, não dá sinais
de avanço no primeiro ano do governo petista. Esses projetos
receberam críticas no interior do próprio PT.
Porém,
o governo mostrou-se autoritário ao silenciar, aos poucos,
as vozes dissonantes do PT. Os chamados "radicais"
foram expulsos do partido. Essa situação abre
o campo para um importante debate: até que ponto é
legítimo, democrático e ético calar as
vozes divergentes de um partido. Democracia não se faz
com idéias homogêneas, mas divergentes.
Durante
a cobertura das eleições presidenciais de 2002,
o Diário veiculou certa simpatia em relação
à candidatura de Lula. Este fato levantou algumas discussões
sobre qual postura o Diário assumiria durante
a cobertura do primeiro ano do governo Lula, de complacência
ou de crítica. Apesar disso, observou-se de maneira geral
que o posicionamento do Diário não foi
de absoluta complacência. O jornal veicula reivindicações
e críticas do Grande ABC em relação ao
Planalto, mas também apresenta as ações
que o novo governo está implementando na região.
Quando
veicula críticas ao Planalto, o Diário
não ataca Lula, mas seu governo pela lentidão
em concretizar alguns projetos. Em linhas gerais, pode se considerar
que Lula é de certa forma preservado no jornal.
Durante
o período da amostra, as matérias produzidas pela
equipe do Diário do Grande ABC não
apontam contradições entre as propostas de campanha
de Lula e suas ações como presidente. Também
não houve tentativas de desqualificá-los por algumas
de suas falas polêmicas ou gafes que tenha cometido.
Em
linhas gerais, observa-se a ausência de especialistas
e acadêmicos no Diário do Grande ABC
questionando o andamento das políticas econômicas
adotadas pelo novo governo que também tocam a região,
pela difícil situação no que tange à
questão do emprego. De maneira geral, não houve
matérias que criticassem a política econômica
de Lula diretamente, nem matérias que relacionassem a
crise vivida pela região diretamente à política
econômica adotada pelo Planalto. Pelo contrário,
o Diário veicula constantemente que o governo
federal tem interesse pelo Grande ABC.
Referências
bibliográficas
ARAÚJO,
William Pereira de. "Processo de mudança no jornalismo
regional". In: XX Congresso Brasileiro de Ciências
da Comunicação. Santos e São Paulo, 1997.
Disponível em: <http://www.eca.usp.br/associa/alaic/Congreso1999/14gt/willian%20pereira.rtf>
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BETTO,
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Notas
(1)
O Grande ABC é constituído por sete municípios
limítrofes: Santo André, São Bernardo do
Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão
Pires e Rio Grande da Serra.
(2)
In: "Desemprego no ABC recua, mas taxa é a maior
desde 99". Disponível em <www.dgabc.com.br>
Acesso em 3.12.2003.
*Verónica
P. Aravena Cortes é doutora em Sociologia pela USP e
professora da Universidade Metodista de São Paulo (Faculdade
de Jornalismo e Relações Públicas e Faculdade
de Filosofia). Vanessa Ramalho é formada em jornalismo
pela UMESP.
**Este
artigo apresenta resultados parciais da pesquisa "Mídia,
espaço público e democracia", que conta com
apoio da Fapesp.
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